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sexta-feira, 11 de maio de 2012

A ideologia de gênero é um atentado contra a natureza humana

Não podemos nos deixar enganar por palavras bonitas que escondem calamidades para a humanidade. Muitos, todavia, acreditam que o uso do termo “gênero” é apenas uma forma polida de se dizer “sexo”.

A ideologia de gênero é como um oásis enganoso no deserto, que algumas pessoas apresentam como se fosse uma solução para todos os problemas da humanidade. E as pessoas olham e vêem que ela se apresenta com características muito chamativas, usando expressões como: saúde sexual e reprodutiva, direitos dos jovens; mas que também são eufemismos que englobam o livre acesso ao anticoncepcional e ao aborto.

Uma correta compreensão da linguagem é muito importante para não sermos enganados por esse espelho ideológico; para isso analisemos a definição de gênero da feminista Judith Butler. Para esta mulher, “gênero” é o fruto de uma construção cultural, portanto, não é nem o resultado casual do sexo, nem tão aparentemente imutável como o sexo. Isto significa que ao teorizar o gênero como uma construção independente do sexo, o gênero se torna uma construção meramente artificial não sujeita a nenhum critério natural. Quer dizer que: homem e masculino podem significar tanto um corpo feminino quanto um masculino; mulher e feminino, tanto um corpo masculino quanto um feminino.

Esta liberdade de decisão sobre a identidade pessoa é sustentada no livro “Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity” (O Problema do Gênero: o Feminismo e a subersão da identidade) da feminista radical Judith Butler. E este material é utilizado há muitos anos por universidades americanas de prestígio e agora fundamenta também a perspectiva de gênero que alguns tentam promover em nosso país (N. do T.: Paraguai).

Não podemos nos deixar enganar por palavras bonitas que escondem calamidades para a humanidade. Muitos, todavia, acreditam que o uso do termo “gênero” é apenas uma forma polida de se dizer “sexo” e que gênero neste caso se refere a seres humanos masculinos e femininos, mas existem muitos outros que paulatinamente que se dedicam há vários anos em difundir uma nova perspectiva do termo. E esta perspectiva não se refere à aceitação tradicional da palavra gênero, mas é entendida como “papeis socialmente construídos”.

Não existe homem natural nem mulher natural
A IV Conferência Mundial das Nações Unidas sobre a mulher, realizada em setembro de 1995 em Pequim foi o cenário escolhido pelos promotores da nova perspectiva para lançar uma forte campanha de persuasão e difusão.

O que aconteceu nesta conferência? Muitos delegados simplesmente ignoraram essa “nova perspectiva” da expressão em questão e pediram aos seus principais impulsionadores uma definição clara. E a resposta não tardou, porque era uma prioridade para os seus divulgadores: “Gênero se refere às relações entre homens e mulheres com base em funções socialmente definidas que são atribuídos a um ou outro sexo”.

A ideia principal dessa definição é: “não há homem natural nem mulher natural”. Ser homem ou mulher depende do papel social que é atribuído a um ou outro sexo; pura e simplesmente, ser homem ou mulher é o resultado de uma decisão. Com a eliminação da lei natural que governa os sexos, a decisão passa a depender completamente das circunstâncias sociais. Se a sociedade exige que “alguns corpos” em algum momento assumam a forma de “mulher ou homem”, esses corpos devem adotar este ou outro sexo.

A Morte da Natureza
Esta nova perspectiva de gênero constitui um gravíssimo erro, que não pode ser aceito por ninguém. Porque seus proponentes pretendem não só modificar a natureza do homem, como eliminá-la por completo.
Sobre isso dizia Shulamith Firestone:

“o natural não é necessariamente um valor humano. A humanidade está começando a ultrapassar a natureza; já não podemos justificar a continuação de um sistema discriminatório de classes por sexos sobre a base de suas origens na natureza. Na verdade, apenas pela razão do pragmatismo começa a parecer que devemos nos desfazer dela”.

Fazer diferenças é um crime grave
Os defensores da “nova perspectiva” rechaçam qualquer diferença, porque a consideram suspeita. Afirmam que toda a diferença entre homem e a mulher é uma construção social e, por isso, deve ser mudada. Pretendem estabelecer uma igualdade “total” entre o homem e a mulher, sem considerar as diferenças naturais entre ambos. Rechaçam rotundamente as diferenças sexuais. Não existem somente dois sexos, mas muitas orientações sexuais. Basta descobrir qual é mais conveniente num determinado momento. Em tão grave erro caem os promotores desta falsa perspectiva, porque ao declarar guerra campal contra a natureza, acabam denegrindo o respeito à mulher, porque para eles o “inimigo” é a diferença.

A diferença entre homem é mulher é desejada por Deus?
Já no Gênesis, Deus explica que não criou o ser humano para que viva sozinho. E o desígnio divino é que o homem e a mulher formem uma família como comunhão de amor. Até aqui se deduz que, no projeto de Deus, a diferença sexual é um elemento constitutivo do ser do homem e da mulher. Esta diferença sexual não implica em desigualdade.

A Congregação para a Doutrina da Fé expressa:

a sexualidade caracteriza o homem e a mulher não apenas no plano físico, mas também no psicológico e espiritual (…) é um elemento básico da personalidade; um modo próprio de ser, de se manifestar e de se comunicar com os outros, de sentir, expressar e viver o amor humano.

Existe um perigo real de “coisificar” e “despersonalizar” a sexualidade quando ela é reduzida a um dado meramente biológico. E os promotores da falsa “ideologia de gênero” falam de orientação sexual a partir deste pressuposto equivocado. Ao considerar a pessoa humana em quanto ser verdadeiro e atendendo à verdade que leva inscrita em seu ser, necessariamente devemos aceitar que o homem não pode escolher ser homem ou mulher, mas que a diferença sexual vem na natureza pessoal, psicológica e espiritual, com todas as suas conseqüências, e como ela se apresenta deve ser aceita.


O monsenhor Rogelio Livieres é o bispo de Ciudad del Este, Paraguai.
Publicado no Una Voce.
(via midia sem mascara)

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