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sábado, 27 de outubro de 2012

Efêmeras palavras...

A Bíblia em um ano:
Marcos 10-13
Imagem: Disponível no blog  Vinho de Rosas.
“[...] porque pelo fruto se conhece a árvore.”
Mateus 12.33

Depois de tantos safanões que a vida nos dá, aprendemos que muito mais eficácia há em fazer do que em falar. Então, chega um tempo na vida da gente, em que palavras já não nos convencem mais. A fase do encanto com belos discursos passou.

Por mais que alguém nos faça bem, e por mais que gostemos desse alguém – seja um familiar, um amigo, um grande amor – suas conversações já não nos tocam, por mais bem elaboradas que sejam, tanto quanto o menor dos seus gestos pode fazê-lo.

Fico pensando em como as pessoas se sentem mal ao serem iludidas com palavras, mas em quanta facilidade elas têm para fazerem o mesmo conosco. Podem ser diversos os motivos que as levam a isso, mas certamente nenhum deles é maior do que o motivo para que elas não o façam: é que nós todos possuímos sentimentos, e ser desiludidos pelo cair das palavras ao chão machuca um bocado.

Numa comparação matemática, palavras estão para poeira ao vento, assim como atitudes estão para a firmeza dos solos, ainda que empoeirados. Palavras estão para música que se ouve, assim como atitudes estão para música que se cria. Palavras estão para bolhas de sabão, assim como atitudes estão para a água de sabão que lava as roupas.

Li, nesta tarde, que “a desnutrição contínua da matéria pode matar rapidamente, mas a desnutrição permanente no terreno das afeições causa morte lenta e dolorosa, porquanto contraria as leis da natureza que nos projetou para dar e receber amor e carinho, ainda que em pequenas porções”[1]. Ocorre que palavras, somente, não nutrem. Palavras somente não demonstram afeição, amor, carinho, não é? Elas enfeitam, mas não traduzem esses vocábulos.

Lembro de Deus nos avisando que nós O encontraremos quando O buscarmos de todo nosso coração (Jeremias 29.13). Nós não O encontraremos se pronunciarmos Seu nome, nem se fizermos lindas declarações de amor a Ele. Nós O encontraremos se O buscarmos, e isso significa atitude, bem além dos hinos que simplesmente cantamos com nossas emoções e com nossas palavras.

Lembro também de Jesus, exortando aos fariseus e escribas que O honravam com seus lábios, mas mantinham seus corações bem distantes do Senhor (Marcos 7.6-7). A beleza das suas tradições e a rigidez dos seus sermões não gritavam tão alto quanto suas atitudes negligentes e inescrupulosas.

Palavras, palavras, palavras...

O mundo está cheio delas. Bocas fartam-se de palavras e mais palavras. Mentes têm dificuldade em decidir quais palavras deverão ser ditas, face sua imensidade. Mãos, porém, seguem quase vazias, realizando uma grande aradura no mundo e uma pequena semeadura, no que tange à veracidade das oratórias.

Mas palavrórios idealizados se esvaziam quando confrontados com a verdade. E a verdade afirma que as palavras revelam apenas o que está acontecendo em nossos corações (Mateus 12.33-34): Corações mentirosos, palavras mentirosas, poucas atitudes convincentes. Corações sinceros, palavras sinceras, mais atitudes que palavras.

Palavras, no seu sentido mais afetuoso, são muito bem vindas. Em poesias, em contos, em canções, em comícios. Não em relacionamentos, nem em relação a sentimentos, tampouco em volta de princípios. Porque são atitudes – e não palavras – que determinam o valor que nós temos e demonstram quem, de fato, nós somos.
[1] Fátima Irene Pinto. Trecho do poema Abatimento (2012).

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