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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Esquerdismo como filhote do medo e da covardia


O novo livro do filósofo Luiz Felipe Pondé, A filosofia da adúltera, é um resgate fiel do pensamento de Nelson Rodrigues sobre a condição humana. Em um dos capítulos, Pondé fala do medo como causa do esquerdismo coletivista, que busca aniquilar o verdadeiro indivíduo. Alguns trechos merecem destaque:

[...] crianças querem agradar porque percebem sua fragilidade. Temos medo porque somos frágeis. Somos mesmo frágeis, por isso ser um ex-covarde nos termos de Nelson é não ter medo de sofrer. Esse problema ético é essencial, porque ele define de forma direta a relação entre conhecimento e coragem, virtude rara na classe intelectual, feita de gente pouco capaz de enfrentar riscos, de fato.
[...]

Com o advento do adulto retardado como modo de vida (o retardamento é um modo de enfrentar o medo), os idiotas sobre os quais Nelson tanto falava, inverte-se a ordem, e os alunos passam a dominar os professores, e os filhos, a dominar os pais. O mundo assume a face do jovem boçal, que finge saber alguma coisa além da balada de fim de semana. Jovens que não gostam de arrumar o quarto convencem todo mundo de que devemos “rearrumar” o mundo. Quem sabe, no novo mundo, os quartos se arrumem sozinhos.

[...] existem varias formas de esquerda, mas a patrulha ideológica permanece: a esquerda verde; a esquerda da defesa dos animais (é estranho que normalmente quem defende os animais defenda o aborto, assim como quem come um pedaço de pizza); a esquerda que recicla; a esquerda psicanalítica (que casa Lacan, Adorno e Foucault); a esquerda do politicamente correto, que quer quebrar a espinha dorsal do debate público, fazendo todo mundo ter medo de falar, escrever e pensar; a esquerda feminista, que quer todos os homens castrados; a esquerda gay, que acha que todo mundo é gay; a esquerda inteligentinha, que toma vinho chileno; a esquerda espiritualizada budista ou latino-americana católica; enfim: a praga só piorou de lá pra cá.

O que caracteriza essas pessoas é sua solidariedade abstrata pelo sofrimento humano. Preferem ideias ao sofrimento real. [...] Nelson percebeu como ninguém o mau-caratismo da esquerda e sua moral abstrata.
[...]

[O canalha institucional] fala sempre no coletivo, esmaga todos à sua volta, cuspindo regras e decisões coletivas cujo objetivo é apenas se esconder de seu medo maior, sua mediocridade individual. O enfrentamento indivíduo-indivíduo é seu maior medo, porque sua individualidade é nula. Ser indivíduo é um ônus que poucos suportam. 

[...] os verdadeiros indivíduos são caçados como lobisomens por todos os lados pelas artimanhas dos canalhas institucionais, verdadeiros inimigos de qualquer coragem criativa no mundo. E o socialismo adora a covardia, porque sempre anda em bando.

Foi o cantor Lobão quem resumiu bem a situação: “Frouxo unido jamais será indivíduo”. Leiam o livro de Pondé. Sejam indivíduos corajosos!

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A verdade sombria


Acabo de ver o filme “The Dark Truth” (2012), com Andy Garcia. Hollywood engajada em seu melhor (pior) estilo. Grande corporação cruel e insensível, disposta a se unir a grupos paramilitares latino-americanos que saem matando inocentes, tudo para garantir a privatização de água no local.

De um lado, os gananciosos e egoístas ricaços em busca de mais e mais lucro. Do outro, pobres camponeses lutando apenas por seu direito ao consumo de água, recurso natural que, se privatizado, deixará de ser acessível aos mais humildes (talvez por isso o telefone celular tenha ficado tão mais inacessível aos pobres depois da privatização, não é mesmo?).

O nome do grupo de camponeses armados que lutava pela justiça? “La vida campesina”. Sério! Para quem não sabe, a via campesina é o MST aqui no Brasil. No filme, o líder é um ótimo rapaz, sensível que chora quando mata um militar malvado por extrema necessidade de proteger os filhos. Ele é chamado de “ecoterrorista” pela imprensa capitalista atrelada ao “sistema”. É mole?

Não há como ver o filme e não sair com raiva da ganância desmedida dos bilionários, dispostos a tudo só para garantir mais um bom contrato, cujo investimento será financiado pela Goldman Brothers. Sério! O nome da instituição é esse, quase nada parecido ao Goldman Sachs da realidade.

Filmes engajados com esse tipo de visão de mundo, estamos acostumados. O que decepcionou de verdade foi Andy Garcia como ator principal. Caramba! O cara é vítima da ditadura cubana, de onde teve que fugir com a família. Fez até um filme um tanto autobiográfico e pessoal que é muito tocante, “The Los City”, que comentei aqui.

E agora vem fazer um filme disseminando a mensagem sensacionalista e socialista de que o governo deve cuidar dos recursos naturais, caso contrário os pobres serão explorados pelos ricos? Fala sério, Andy! Dê uma olhada em seu país de origem para ver aonde essa mentalidade levou. O governo “cuida” de todos os recursos da ilha. Não consta que os pobres estejam felizes…

A verdade sombria? Hollywood, com cada vez mais raras exceções, virou uma máquina de vender mentiras.

Fonte:  http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/

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