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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Casamento não vem pronto, se constrói – Parte 3

Como construir um projeto de vida à prova do tempo e das adversidades?

1- Tenha um projeto de vida inteligente.

Com sabedoria se constrói a casa, e com discernimento se consolida. (Pv 24.3 NVI)

Já descobrimos que a base da construção é a prática dos princípios da Palavra de Deus e vimos ainda que a tempestade virá indiscriminadamente com os ventos mais diversos. Descobriremos agora os passos práticos para construir um projeto de vida que seja duradouro e muito resistente às mais severas adversidades.

1. PROJETO
Se alguém deseja desenvolver uma construção que não caia nem desabe, precisa começar bem, precisa começar certo, pensando antecipadamente, preparando-se, procurando prever o futuro e planejando-se. Quem deseja um casamento durável e resistente, precisa de um projeto de vida inteligente.

Albert Einstein, autor de grandes conquistas intelectuais, dotado de extrema originalidade e considerado o mais memorável físico de todos os tempos, depois de estudar e refletir bastante disse: “Deus não joga dados com o universo”. Foi do filósofo inglês Francis Bacon o seguinte registro: “Pouca ciência afasta o homem de Deus, porém muita ciência a Deus o conduz”.

Qualquer observador sincero e atento admitirá que o universo possui uma ordem extremamente acurada. Ele terá que admitir a existência de um projeto excepcional. Deus não trabalha sem projeto. Ele não improvisa. Ele não gosta de “gambiarra”. O Criador não trabalha com remendos nem se contenta com “mais ou menos”.

Após a saída do povo de Israel do Egito, Moisés subiu ao monte Sinal para encontrar-se com Deus e receber as instruções para a construção de um templo móvel, que serviria como local de adoração e de manifestação do Altíssimo para o povo da promessa.
Segundo o dicionário Aurélio Online, entre outras definições, projeto significa “o que se tem a intenção de fazer; desígnio; intento; plano de realizar qualquer coisa”. Antes do objeto ser executado nasce uma ideia, uma imagem mental que precisa ser especificada, delineada e desenvolvida.

Ao passar as instruções para Moisés, o Senhor foi extremamente meticuloso e organizado. Ele até preparou um modelo para que seu servo pudesse reproduzir ao descer do monte:

Façam tudo como eu lhe mostrar, conforme o modelo do tabernáculo e de cada utensílio. (Êx 25.9 NVI. Grifo do autor)

Se Deus desenvolveu um modelo, um projeto, um desenho e um planejamento, por que achamos que podemos seguir a vida de qualquer maneira? Por que é imprescindível que haja um projeto de vida?

Voltemos à analogia da construção. Sem projeto, a casa não tem uma forma agradável, não tem beleza nem funcionalidade. Sem projeto, o construtor faz a escada e no final descobre que o degrau ficou um pouco mais alto do que deveria, de modo que quem termina de subir aquela escada precisa se abaixar para passar pela porta.

Você já viu uma casa cheia de “puxadinhos”? São partes da casa que surgem no calor da necessidade, mais parecidas com um apêndice ou uma verruga na construção. Quem entra naquela casa sente-se confuso e meio perdido. Há bairros e cidades inteiras que surgiram no improviso, sem planejamento.

Compare uma cidade assim com as cidades planejadas. Dirija em uma e em outra cidade. Nas cidades planejadas é fácil trafegar, além de que elas são bonitas e agradáveis. Já uma favela tem todos os problemas inerentes à bagunça e desorganização com a qual foi gerada. Você quer dar a volta no quarteirão em busca de um retorno e a rua termina em um barranco. O bairro que cresce à revelia é inseguro também. Normalmente, a desorganização atrai aqueles que vivem à margem da sociedade. Sem projeto, o casamento fica feio e torna-se uma relação insegura, sem parâmetros, sem acordos e sem princípios. Ter um projeto é fundamental.

Lembro-me do dia em que Rouse e eu compramos a casa onde moramos hoje. Depois de 15 anos de oração, pedindo uma grande residência, compramos um casebre em um belo terreno. O tal casebre, porém, era muito feio e precisávamos mudar essa realidade.

Passamos a fazer vários planos: “Vamos fazer um quarto aqui, transformamos aquele em um banheiro, vamos derrubar esta parede”. Mas tudo o que pensávamos não dava certo. “E a porta, e a janela? Como faremos? Mas isto vai atrapalhar aquilo… aquele banheiro ficará virado para onde… e o sol?”

Investimos dois meses tentando criar um projeto e enxergar uma saída de como aproveitar, reformar e aumentar aquela casinha que já estava no terreno. Pensamos até em demolir para fazer tudo de novo, até que uma irmã muito querida aconselhou-me a contratar uma arquiteta, assegurando-nos de que seria um investimento que valeria à pena. Perceba que um projeto não é caro, pois muitas vezes o “barato” sai caro e o caro sai “barato”.

Marcamos um encontro com a arquiteta que prontamente nos atendeu. Rouse e eu estávamos na casa, à sua espera, quando ela chegou. Competente, rápida, quase elétrica e muito dinâmica perguntou: “O que vocês querem?”. Passamos a ela uma lista daquilo que precisávamos:

● sala de estar com lareira,
● sala de jantar,
● quatro quartos com suíte,
● varanda por toda parte,
● um escritório bem iluminado,
● garagem,
● piscina etc.

Você sabia que para fazer um projeto você precisa antes saber o que quer? Você e sua esposa sabem o que querem do casamento? Vocês sabem onde querem chegar? Quais são os alvos do casal?

Uma vez de posse da lista, ela deu uma volta naqueles “escombros” e, em menos de 30 minutos, após ter uma visão do todo, sentou-se conosco e rascunhou um projeto maravilhoso usando uma simples folha de papel e um lápis. Fiquei boquiaberto. Mais alguns minutos e o esboço ficou ainda mais claro.

Eu havia gastado três meses e agora, em menos de uma hora, a solução estava apresentada. Pensei: “Não acredito, passei três meses e não enxerguei nada; a profissional, em meia hora, enxergou tudo!”. Por que demorei tanto? Será que não foi o “danado” do orgulho?

O orgulho impede que peçamos ajuda, e ele nos atrapalha – a soberba que nos segura, a petulância que nos prende. Eu tive que admitir a minha limitação. Tive que baixar a bola e reconhecer que aquela não era a minha especialidade, não era a minha área. Para resolver o problema da construção da casa, precisei ser humilde e admitir que eu precisava de ajuda. Você, meu querido leitor, será que não precisa de ajuda? Não tenha medo, não tenha vergonha, você não será diminuído, muito pelo contrário, Deus irá olhar para você com bons olhos e você perceberá que aquilo que parecia não ter saída tem, na verdade, uma solução maravilhosa! Peça ajuda, não tenha medo.

Sabe por que existem casamentos que são como as construções improvisadas e desengonçadas? Porque as pessoas querem resolver seus problemas sozinhas e sem buscar os valores das Escrituras. Por que os casais vivem na linha da miséria e da confusão relacional? Por que não pedem ajuda? O casamento construído sem um projeto de vida inteligente é sem forma, sem beleza, sem segurança e vazio de significado.

Será que você está andando de um lado para o outro querendo encontrar uma saída? Está se batendo e ferindo? Eu procurava a melhor maneira e não consegui achar até que alguém disse: “Peça ajuda”. Talvez você pense que isto lhe custará muito, mas há investimentos que são economia. É aí que você vai economizar. Peça ajuda para o seu casamento, peça ajuda para a sua família, peça ajuda para saber como lidar com o filho ou com a filha. Peça ajuda!

Coragem é a palavra chave para quem decide pedir ajuda. O alto preço muitas vezes assusta, mas sem projeto os gastos são muito maiores. O preço da humilhação, o preço de abrir o coração, o preço de tirar a máscara é baixo se comparado aos seus benefícios. O que custa mais? Confessar uma tentação ou confessar um pecado consumado? O preço de pedir ajuda é baixo se comparado às trapalhadas e catástrofes do erro.

Quem contrata um profissional da construção economiza no material de construção e não precisa desfazer e refazer. Peça ajuda para o seu casamento, meu querido leitor, minha querida leitora. Não tenha medo, não tenha vergonha. Deus olhará para você com bons olhos.

Ainda que a situação pareça sem saída, há uma saída maravilhosa de Deus esperando por você. A minha casa ficou tão bonita! Eu nem imaginava que pudesse ficar tão funcional e com uma estética tão apurada. Todos os que vêm a minha casa apreciam e elogiam a construção. Peça ajuda, e seu casamento se tornará uma construção maravilhosa, agradável e digna de ser admirada.

Ter um projeto é imprescindível.

a) O projeto valoriza a construção – a construção que surgiu a partir de um projeto bem elaborado vale muito mais. Uma família cujos pais priorizam o relacionamento, organizam-se e se planejam tem uma qualidade de vida superior e um testemunho muito mais valioso.

b) O projeto economiza tempo – o que temos de mais precioso é o tempo, pois ele é a nossa vida. Quando vivemos de qualquer maneira, perdemos anos andando em círculos e sem nos comunicarmos, presumindo erradamente o que poderia ter sido conversado.

c) O projeto evita desperdício de dinheiro – um dos maiores desgostos de alguém que está construindo é encontrar uma parede no lugar errado, um piso mal colocado ou uma escada mal calculada. O construtor pagou pela mão de obra, pagou pelo material e agora deverá pagar para desfazer, pagar para limpar e pagar novamente o material e a construção. Quanto temos gasto em sofrimentos, mágoas, insultos e frustrações, que poderiam ser resolvidos com um bom projeto em família.

Há na nossa igreja um casal muito querido. Rita e Bruno (não são seus nomes reais) são diáconos, cristãos muito sérios e dedicados. Mesmo com toda a dedicação ao Senhor e o cuidado na criação de seu filho, este envolveu-se com drogas a tal ponto que precisaram internar o rapaz em uma clínica especializada. Foram momentos de dor, apreensão e muita oração. Após esse período, o moço recuperou-se, firmou-se nos caminhos do Senhor e hoje é uma benção na igreja.

Outro rapaz, um adolescente de classe média alta, estava totalmente descontrolado e envolvido com o cenário de drogas de sua cidade. Ia mal na escola, vendia pequenas quantidades da droga para se manter e já estava roubando dinheiro de casa para financiar o vício. A mãe, Joana, (também não é seu nome real) já tinha esgotado seus recursos, chorava muito, conversava o que podia, dava castigo, compartilhava com o marido, mas nada parecia adiantar. Ela e o marido estavam totalmente desorientados.

Por providência divina, Joana encontrou-se com Rita, abriu o coração, expôs a sua crise e pediu ajuda. Logo para quem? Deus é tremendo e amoroso. Ela pediu ajuda justamente para o casal que recém passara pela mesma luta com seu filho. Rita e Bruno acolheram, abraçaram e ajudam Joana e a sua família. Essa história teve final feliz. O adolescente foi internado em uma clínica evangélica para recuperação de viciados. Quando voltou, foi a um retiro de jovens e entregou definitivamente sua vida a Jesus. A família foi restaurada e hoje caminha a passos largos para a santificação e o serviço na igreja. Por quê? Porque Joana teve coragem de pedir ajuda.

Amado, deixe que eu insista novamente com você: peça ajuda e deixe que Deus escreva um final feliz para sua família também.

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