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sábado, 4 de janeiro de 2014

Os “abomináveis” católicos

Walid Shoebat

Comentário de Julio Severo: Compreendo a revolta de Shoebat, um palestino que havia sido membro da Irmandade Muçulmana, ao ver o estado do protestantismo nos EUA, que outrora eram a maior nação protestante do mundo. Grandes denominações protestantes americanas (presbiteriana, luterana, anglicana, etc.) ordenam pastores gays e fazem boicotes contra Israel. Se Shoebat vivesse no Brasil, ele também poderia ver a apostasia da CNBB, que tem levado a maior parte das congregações católicas no Brasil no conto da sereia da Teologia da Libertação, sendo causa direta da vitória do PT e outros partidos socialistas no Brasil. Claro que a Igreja Católica no Brasil não faz, por exemplo, o que faz a Igreja Presbiteriana (PCUSA): apoiar o “casamento” gay. Mas com seu papel fundamental de antigo apoio ao PT, a CNBB e seus bispos apoiam o “casamento” gay, quando o PT, seu filhote, o apoia. Vendo da perspectiva apenas do que está acontecendo nos EUA, Shoebat desanimou e se revoltou contra o protestantismo nos EUA. Ele foi de um extremo ao outro, chegando a “agradecer a Deus” pelo fato de que no passado os católicos “esmagaram” os heréticos, inclusive os seguidores de João Huss e John Wyclif — considerados precursores de Lutero. (E parece que Shoebat se esqueceu de mencionar que os judeus também foram vítimas da implacável Inquisição católica, que lhes saqueava tudo: casas, dinheiro, propriedades, trabalho, etc.) Ele cita Lutero e seu antissemitismo, mas ignorou o contexto social e cultural católico antissemita que havia formado Lutero. Seja qual for o entendimento que Shoebat esteja buscando de igreja, a igreja ideal de Jesus não mata heréticos. Se matasse, Jesus teria iniciado seus apóstolos originais na missão de “esmagar” os fariseus e muitos outros heréticos. Mas não. Com exceção de João, todos os apóstolos de Jesus foram martirizados, isto é, eles estavam dispostos a morrer pelo Evangelho, em vez de torturar e matar pelo Evangelho. Jesus não veio para “esmagar” os heréticos para impor o Reino de Deus. Ele veio para pregar e demonstrar o Evangelho de Reino de Deus por meio do amor, pois Deus é Amor. Ele veio também para morrer. Tenho visto muitos cristãos americanos desapontados com a radical apostasia das grandes igrejas protestantes nos EUA. É uma apostasia tão grande que está levando muitos, inclusive Shoebat, à confusão. Mas no Brasil, Shoebat teria igual desapontamento com relação ao imenso poder esquerdista da CNBB na Igreja Católica do Brasil. Desconsiderando alguns pontos extremos que Shoebat adotou, seu texto em boa parte tem conteúdo muito aproveitável. Eis o artigo de Shoebat:
Em toda a sua história, a Igreja Católica travou guerra contra o islamismo. Contudo, hoje não tem nada a nos oferecer. Essa é a típica resposta que recebo quando discuto história cristã com muitos evangélicos. Eles me dizem que fora da Bíblia, nada há mais que precisemos. Por isso, da próxima vez que houver um incêndio na sua casa, leia a Bíblia, não se esqueça de orar enquanto estiver discando o número de emergência e goze a fumaça e o fogo crescendo dentro de casa.
Acho difícil até mesmo fazer as seguintes perguntas: Como é que foi a história cristã, que resistiu ao mal do islamismo e o derrotou na Europa? Por que e como a Cristandade perdeu o Egito e a Ásia Menor para o islamismo? E o que estamos fazendo em nossa época para imitar ou não imitar essa história?
A pergunta que vale um milhão de dólares a que ninguém consegue responder — embora receberei muitos comentários de pessoas me condenando como herético — é esta: Por que Deus escolheu os católicos para deter o islamismo em todas as grandes batalhas que visavam destruir a Cristandade? Se alguém tem a resposta, por favor dê um passo adiante.
O que a maioria dos evangélicos cheios do Espírito Santo sabe sobre a Batalha do Lepanto, a Batalha de Tours, a Batalha de Viena e a Batalha de Malta?
Se os “abomináveis” católicos não tivessem lutado na Batalha de Tours, toda a Europa seria muçulmana hoje, como na Ásia Menor. Seria o fim do Cristianismo, como o conhecemos. Hoje, a Turquia (Bizâncio) é 99% muçulmana e parece bem provável que produzirá o Anticristo, embora os evangélicos ainda achem que o Anticristo e a Meretriz é a Igreja Católica Romana.
Por que é tão raro achar evangélicos santos, cheios do Espírito, que não falam dessa história pintando-a como negra, cheia de guerras, cruzadas e sede de sangue? Qual é a diferença então que há entre o esquerdista teimoso e o evangélico cheio do Espírito? Ambos criticam essa história. Indo mais longe, como muitos evangélicos e esquerdistas, os muçulmanos também condenam essa história. Então, por que ecoamos a interpretação deles ao praguejar contra os católicos?
Por quê? É por causa desses “abomináveis” católicos que defenderam a Cristandade e salvaram os protestantes da total aniquilação? Será que os católicos fizeram algo certo, como lutar contra os abomináveis muçulmanos e frustrar os planos deles de aniquilar a Cristandade?
Em todas essas batalhas não havia nenhum protestante vindo para ajudar a salvar a Europa e os estados protestantes abstiveram-se de ajudar ou até mesmo levantar um dedo. Eles estavam ocupados demais fazendo estudos da Bíblia sobre como os “abomináveis” católicos eram o Anticristo.
Talvez eu precise exercer o típico hábito americano de falar sobre tais assuntos e buscar aprovação antes de fazer minhas declarações. Não estou dizendo, pelo amor de Deus, que todos os protestantes são maus. Contudo, toda vez que digo a palavra “católico,” os evangélicos pulam de nervosismo e apontam para o céu dos católicos sem nem mesmo investigar as montanhas de livros heréticos, dignos de esterco, produzidos pelos tão chamados evangélicos.
Será que a rica história católica é um assunto maligno sobre o qual a Bíblia nos avisou a não tocar e a fazer pouco caso das guerras católicas contra o islamismo? Até mesmo durante o nazismo, houve mais desses “abomináveis” católicos que escolheram morrer nos fornos de Hitler do que houve evangélicos e protestantes juntos. Será que esses católicos estão condenados ao inferno apesar de terem feito uma escolha de entrar na fornalha de Hitler? Qual dos dois agrada mais a Deus, os pastores amantes dos sodomitas ou os católicos que amavam os judeus e morreram nos crematórios de Hitler?
E então? Quem dará respostas às minhas perguntas? Será algum adolescente evangélico ignorante, imaturo, cabeludo, tatuado, de piercing no nariz, de argolas na orelha, zombador, inútil e herético do Movimento Graça Grátis que instantaneamente, de sua própria autoridade, me amaldiçoará e me excomungará porque não creio, como eles, que os pecadores homossexuais devem ser recebidos na igreja como cristãos se não houve confissão de arrependimento? Tais mutantes serão os futuros soldados que ultrapassarão os Cavaleiros de São João e lutarão para frustrar as forças das trevas e do diabo? O que eles utilizarão para lutar, os brincos que eles usam no nariz e seus cabeços com pontas de espinho de porco de aparência estúpida? Ou será que eles mesmos não são filhos do diabo?
Por que tenho de denunciar o papa como herético enquanto fico em silêncio sobre o maior pastor dos Estados Unidos, esse autonomeado papa do diabo chamado Rick Warren que assinou um tratado com o islamismo dizendo que “nós adoramos o mesmo Deus”? Será que não posso dizer nada sobre essa prostituta engordada que evita comprometer-se em questões sobre homossexualismo, mas condena as Cruzadas nesse mesmo tratado?
Talvez essas coisas possam ajudar a responder à minha pergunta, que já fiz mais de uma vez e ninguém parece ter respondido: Durante minha caminhada de duas décadas em minha fé evangélica cheia do Espírito Santo, Jesus disse: “Edificarei minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” Veja bem, em dois mil anos, quem era essa igreja? Foi a igreja perdida no tempo desde que os autores do Novo Testamento morreram até a época em que o santo Martinho Lutero apareceu? Hitler usou “Sobre os Judeus e Suas Mentiras,” texto demoníaco de Martinho Lutero, para ajudar a livrar a Europa de seis milhões de judeus.
Os evangélicos respondem a esse dilema dizendo que a verdadeira Igreja estava sempre ali, mas era perseguida pelos “abomináveis” católicos. Entretanto, tais respostas são impossíveis de provar. Talvez algumas perguntas no estilo de Jesus ajudarão a esclarecer essa questão. Então, qual foi o movimento cristão que os “abomináveis” católicos perseguiram? Foram os montanistas, os novacionistas, os donatistas, os docetistas, os cátaros, os albingenses, os valdenses, os hussitas e os seguidores de Wyclif? Será que esses movimentos eram a “Igreja” sobre a qual falou Jesus? Eram eles que eram os crentes cheios do Espírito, que criam na Bíblia e eram semelhantes aos evangélicos?
Não há historiador que lhe dirá que esses movimentos chegam a se encaixar na definição de modelo evangélico “cheio do Espírito.” Tais movimentos, que os católicos esmagaram (graças a Deus), eram radicalmente não-cristãos, heréticos e gnósticos. Só os valdenses e os hussitas eram de certo modo cristãos, mas mesmo eles estavam mais próximos do catolicismo do que os evangélicos. Como um evangélico comum, cheio do Espírito Santo, chegaria a saber a natureza desses movimentos? Afinal, só precisamos da Bíblia e dane-se a história, certo? Ignorar a história é ignorar também a Bíblia.
Até mesmo Martinho Lutero e o movimento protestante, que veio com a Confissão de Fé de Westminster (CFW), que é seguida por denominações protestantes, realmente ajudou os muçulmanos otomanos e lhes forneceu cobre para construir canhões para destruir estados católicos porque na opinião deles, a Igreja Católica era a Meretriz da Babilônia e o Anticristo.
A CFW era tão importante que era uma doutrina de fé fundamental e não era negociável. Se a Trindade era essencial, da mesma forma era também essa crença com relação aos católicos. Apesar de que o islamismo nega publicamente a Trindade, a CFW nunca mencionou isso. Esse documento preferiu focar muito mais nos católicos, não nos muçulmanos, embora os católicos tivessem impedido os muçulmanos de aniquilarem a Cristandade. Até o próprio Martinho Lutero pensou melhor nessa questão e confessou, depois de ler “Refutação ao Corão,” livro maravilhoso escrito pelo católico Riccaldo Di Montecroce. Como resultado, Lutero mudou de opinião e de acordo com ele o islamismo era o sistema do Anticristo, mas a Confissão de Westminster nunca chegou a mencionar isso.
Sobre a teologia da graça versus obras. Uma coisa é certa: Jesus deu o exemplo do homem que pratica boas obras e o empolgado igrejeiro de Sua época quando Ele escolheu o samaritano, não o fariseu que estava andando e se deparou com um homem nu e surrado por perseguidores e nada fez, afirmando que ele estava fazendo a vontade do Senhor. Se pegarmos esse exemplo, o samaritano daquele tempo seria visto do jeito que vemos um católico: ele estava todo danado e confundia tudo. O samaritano nem mesmo seguia Sola Scriptura e seu cânon da Escritura não tinha muitos livros. Ele até cria em loucuras tipo o Templo estava no monte Gerizim, não em Jerusalém. No entanto, Jesus honrou o samaritano, não o fariseu, que entendia a Bíblia e o Templo de forma correta, mas não ajudou o perseguido.
Quando Jesus vier, Ele jogará no inferno muitos “abomináveis” católicos e “abomináveis” evangélicos por não ajudarem os judeus, os católicos, os evangélicos e outros (Mateus 25). Hoje, nem os católicos nem os evangélicos estão fazendo muito para salvar os cristãos massacrados em países muçulmanos. Consegue dizer o nome da organização que resgata os cristãos hoje? Não existe NENHUMA. Tentamos ajudar e nossos apoiadores são predominantemente armênios, coptas e assírios. Onde está o maior pastor dos EUA? Onde estão os evangélicos e católicos dos EUA? Talvez eu devesse seguir os coptas, os assírios ou até os armênios e jogar no lixo essa versão americanizada do Cristianismo que ama a homossexualidade.
Embora acusemos essas igrejas antigas de apego a livros deuterocanônicos como a Sabedoria de Salomão, que os evangélicos rejeitam, em menos de cinquenta palavras, resume o propósito inteiro da Encarnação do Filho de Deus e por que Deus se tornou homem:
“Quando um silêncio profundo envolvia todas as coisas e a noite mediava o seu rápido percurso, tua Palavra onipotente lançou-se, guerreiro inexorável, do trono real dos céus para o meio de uma terra de extermínio.” (Sabedoria 18:14-15 Bíblia de Jerusalém)
Quem é esta “tua Palavra onipotente”? Quem era a “Palavra”? Quando Ele se lançará “do trono real dos céus”? Quando Ele será esse “guerreiro inexorável”? Essa não é uma profecia sobre Cristo vindo para guerrear nos últimos dias? Contra quem Ele está guerreando? Contra os católicos, que preservaram a Bíblia — inclusive a Sabedoria de Salomão? Será que a sabedoria partiu da terra de modo que nenhum homem possa apontá-la? Será que o Espírito Santo não está me levando a redescobrir tais profecias arrancadas das Bíblias evangélicas dos Estados Unidos? A Igreja Copta que foi fundada por São Marcos não era importante? Não foi Cristo que edificou a Igreja no Egito? Até mesmo quando os portugueses entraram pela primeira vez na Índia eles encontraram cristãos nativos que, para sua surpresa, declararam sua sucessão apostólica desde São Tomé.
Quando me tornei cristão, entrei numa igreja evangélica que me ensinou que em Daniel capítulo 2, as duas pernas eram a Igreja do Oriente e a Igreja do Ocidente (Ortodoxa e Católica) e que essas igrejas eram o espírito do Anticristo. No entanto, nunca acreditei neles, pois examinei a Palavra de Deus e descobri que as profecias da Bíblia estavam falando do islamismo. Era eu que não estava seguindo a Bíblia ou será que esses evangélicos estavam interpretando a Bíblia de forma errada? Foram os evangélicos que também interpretaram mal muitas coisas na Bíblia.
Rejeito todas as doutrinas que diferem da Bíblia. Os santos protestantes têm apontados vários papas como o Anticristo, e todas essas opiniões no final se mostraram falsas. Será que isso não é difamação profana? Jesus não nos alertou com relação a tais difamadores malditos?
Nós proclamamos em voz alta: “Meu povo perece por falta de conhecimento” quando nós, os que proclamamos tais versículos, estamos perecendo. Há uma diferença entre conhecer a Bíblia e fazer o que está na Bíblia.
Mas há também uma diferença entre amar emocionalmente Jesus e fazer o que Jesus diz. Pregamos algo. Mas seguimos o oposto; continuamos com falta de conhecimento.
Como consequência, vemos as coisas a partir de certo prisma ótico que achamos que é santo, mas não é.
Walid Shoebat é um palestino ex-membro da Irmandade Muçulmana. Ele é também dono do site Shoebat.
Traduzido por Julio Severo do artigo do site Shoebat: Them ‘Damned’ Catholics
Leitura recomendada:
Sobre a Inquisição:
Outro artigo do site Shoebat:

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