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segunda-feira, 24 de março de 2014

O uso indiscriminado do termo “fascista”



Todo liberal e conservador está acostumado: quando o oponente marxista fica sem argumentos, o que ocorre sempre, ele puxa da cartola a acusação fulminante: fascista! A esquerda latino-americana, ela mesma muito similar ao fascismo em diversos aspectos, adora acusar os adversários ideológicos de fascistas. Mas isso não faz o menor sentido.

Mussolini, que foi socialista em sua juventude, tinha pontos de vista que fariam vários esquerdistas “modernos” vibrarem de emoção. Por outro lado, como mostrei em meu último artigo no GLOBO, Marx e Engels eram imperialistas arianos e racistas, o que seria suficiente para que qualquer marxista, tivesse lido Marx ou gozasse de honestidade intelectual, acusasse o próprio mentor e guru de fascista.

Hoje, um artigo publicado no GLOBO, de Christian Caryl, faz um resumo razoável do que é o fascismo, expondo justamente o abuso que fazem do termo de maneira indevida. Seguem alguns trechos:

“Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado.” A frase é de Benito Mussolini, uma das primeiras pessoas a falar com aprovação de “totalitarismo”. Fascistas acreditam no Estado porque o veem como a manifestação lógica da vontade de uma nação de afirmar e defender seus direitos coletivos. Assim, sindicatos, clubes e a imprensa deveriam ser subordinados ao governo.  
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Foi o fascismo que nos deu a noção de um líder todo-poderoso, carismático — o Duce ou o Führer — que pessoalmente encarna os anseios da nação. (O comunismo também tinha seu Grande Timoneiro e seus Jardineiros da Felicidade, mas mesmo esses personagens sobre-humanos ainda estavam supostamente seguindo os ensinamentos de um certo filósofo judeu alemão.) Muitos autocratas pós-1945 — vem à mente o argentino Juan Perón — aprenderam com esses modelos.
É digno de nota que os movimentos de protesto na Ucrânia ou na Venezuela não lutam para instalar um líder em particular. Eles querem democracia — o oposto do poder de um só homem.
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Os fascistas celebram as massas — mas apenas quando elas são rigidamente organizadas em torno das necessidades do Estado. 
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Os fascistas sempre veem a nação como ameaçada e sua tomada do poder é retratada como um renascimento nacional que varrerá a decadência e a fraqueza.
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Hitler e Mussolini viam suas versões do “nacional-socialismo” como a única alternativa válida a todas as outras ideologias políticas. Rejeitavam violentamente o socialismo e o “capitalismo burguês”, enquanto diziam se apropriar das melhores características de cada um.
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É verdade que alguns fascistas tentavam incorporar a Igreja Católica em seu sistema ideológico. Mas Hitler, um zeloso anticlerical, sonhava com o dia em que as massas pendurariam o Papa pelos calcanhares na Praça de São Pedro.

Com isso em mente, fica mais claro que, no fundo, são os críticos da esquerda radical, que odeiam os liberais e conservadores, quem mais se assemelha ao fascismo. São nacionalistas, autoritários, enxergam o estado como entidade quase divina, adoram o culto à personalidade de um líder caudilhesco e populista, e gostariam muito de ver todos os padres da Igreja “ultrapassada” pendurados em praça pública.

Quem é fascista: Maduro ou o ex-presidente chileno, Sebastián Piñera, um empresário liberal? Pois é. Recomendo, para fechar, o excelente livro de Jonah Goldberg, Fascismo de Esquerda, para não deixar mais dúvida de como, apesar de toda a retórica contrária, parte da esquerda, a ala radical, possui extrema afinidade com os ideais fascistas.

Rodrigo Constantino

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