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sexta-feira, 25 de abril de 2014

11 fraudes intelectuais em 10 minutos - Yuri Grecco e o negacionismo da censura

ESCRITO POR LUCIANO AYAN 
A canalhice da esquerda realmente supera todos os limites. Em apenas uma semana (após a divulgação da censura sobre Rachel Sheherazade) eles foram capazes de criar um conjunto de rotinas repetido EXATAMENTE DA MESMA FORMA por toda a tropa.
Ainda assim, Yuri Grecco desta vez superou seus colegas (ele foi muito detalhista e não esqueceu de adicionar nenhuma fraude), inserindo nada mais nada menos que 11 fraudes intelectuais em apenas 10 minutos de vídeo – isso sem contar que a análise compreende os primeiros oito minutos, pois nos dois minutos finais ele apenas desconversa, tentando amenizar os embustes propagados até então.
O caso de Yuri é ainda mais emblemático por ele ter se empenhado ao longo dos anos em uma luta árdua contra a religião revelada. Ao mesmo tempo, ele foi se tornando cada vez mais um crente fanático e irracional da religião política, isto é, o esquerdismo. De que adianta alguém se tornar anti-religioso se for para virar um crente da doutrina mais irracional da história da humanidade? Enfim, estamos tratando de um sujeito que chegou no fundo do poço.
Geralmente me perguntam como eu identifico as fraudes de maneira tão fácil. Eu costumo dizer que não adianta apenas estudarmos os guias de falácias, mas especialmente a dialética erística. Conhecer as técnicas de propaganda também é fundamental, assim como estudar o controle de frame.
No caso das fraudes de Yuri, no entanto, a dialética erística bastou. A maioria das fraudes usadas pela extrema-esquerda para negar que praticaram censura se resume aos seguintes estratagemas:
  • Distinção de emergência: Invenção de uma regra sem o menor sentido para esconder falhas lógicas.
  • Ampliação indevida: Praticamente uma variação da falácia do espantalho. Aqui a afirmação do oponente é exagerada, para além dos limites devidos. A partir disso, refuta-se essa versão exagerada, enquanto se finge ter refutado a versão original.
  • Manipulação semântica: Associar a um termo um conjunto de significados diferentes do original.
Claro que os truques de Yuri não se resumem a isso, mas o espírito das fraudes intelectuais contidas no vídeo dele (que está no final deste post) podem ser rastreados a esses três estratagemas.
Cientes disso, vamos começar o exame de fezes:
#01 -RACHEL E SEUS AMIGOS NÃO FORAM PRESOS, LOGO NÃO EXISTIU CENSURA
Esse truque aparece logo nos primeiros segundos do vídeo. E aqui já vemos o estratagema da ampliação indevida em ação. Para Yuri, é preciso existir prisão (ou ao menos ameaça de prisão) para existir censura. Nada mais falso.
Na verdade, a censura existe a partir de qualquer ato de coerção ou pressão para controlar o fluxo de informações, ou seja, decidir ou influenciar o que será publicado ou divulgado. Essa pressão pode existir a partir da força física ou mesmo da ameaça de demissão, por exemplo.
Aliás, para evitar confusões, o problema ético se encontra na censura estatal, onde o dinheiro público é usado para financiar o silenciamento ou supressão da opinião de um povo. Os protestos contra a censura sobre Rachel são motivados pela extrema gravidade do que estamos vivendo: uso do aparelho estatal para controlar o fluxo de informações a favor do governo.
Essa forma de censura, cada vez mais disseminada nas ditaduras, é denominada de censura sutil. Ela é executada a partir do uso do dinheiro estatal retirado das empresas que publiquem material que eles não gostem. Ao mesmo tempo, esse tipo de censura depende de outras medidas, como ameaças de retirada de concessão pública, proibição de várias formas de anúncio privado (ex. anúncio infantil, anúncio de cigarros e cervejas, etc.). Esse último item facilita com que as empresas se tornem mais vulneráveis à censura sutil.
A censura sutil é mais grave do que a censura formal, pois esta última geralmente é amparada por decretos do governo. A primeira, por sua vez, é executada de forma ilegal e exatamente por isso completamente arbitrária. A mera existência da censura sutil deveria ser enquadrada como um ato de corrupção, pois temos o uso de verba pública para privilegiar grupos privados.
Ou seja, não apenas Rachel foi vítima de censura, como também presenciamos a mais grave de todas as instâncias de censura criadas pela humanidade. É preciso de uma mendacidade fora dos padrões habituais para negar isso. Enfim, dinheiro público não pode ser usado para pressionar empresas de forma que o fluxo de informações seja controlado a favor de indivíduos que estão no governo. Diante dessa constatação, resta tentar entender qual o nível de deformação de caráter de um sujeito que entende isso como “normal”.
#02 – O DISCURSO DE RACHEL É APOIADO PELA MAIORIA E A MAIORIA É IGNORANTE, LOGO O DISCURSO É INVÁLIDO
Provavelmente Yuri aprendeu este tipo de fraude durante suas diatribes contra os religiosos. A heurística que ele usa é simples: (1) Religião é coisa da maioria, (2) A maioria é composta de ignorantes, (3) Logo, religião é composta de ignorantes.
O raciocínio, no entanto, é falacioso. Por exemplo, o futebol é um esporte da maioria e nem por isso assistir jogos de futebol é “coisa de ignorantes”. Na verdade, tanto o futebol como a religião se tornaram populares por que são baratos e acessíveis, além de atenderem a interesses universais.
O mesmo vale para o discurso de Rachel Sheherazade. A maioria da população é vítima potencial de crimes, por exemplo. Portanto, é natural que a maioria da população torça para que os criminosos sejam punidos. Isso não é “coisa de ignorantes”, mas um interesse universal. Outros interesses universais incluem a torcida para que a inflação não aumente. Quase toda a população torce por isso, sem se tornar “coisa de ignorantes”.
O truque de ofensinha tentado por Yuri é um recurso de baixo nível, completamente irracional e sem o menor sentido senão uma retórica vergonhosa e mau-caráter.
#03 – TELEVISÃO É CONCESSÃO PÚBLICA, PORTANTO O GOVERNO PODE FAZER O QUE QUISER
Aqui preciso ser justo com Yuri. Ele não lançou a rotina de forma explícita, mas sua linguagem corporal, em alinhamento com seu discurso, dizia exatamente isso. A comunicação que ele faz é a seguinte: “[simulando um desdém para encenar que trata de algo trivial] isso que o governo faz é apenas usar a concessão pública, que é dele”.
A fraude de Yuri está em comunicar apenas uma parte da mensagem, ao dizer que a televisão é concessão pública. Mas ele omite a parte mais importante, ao omitir o fato de que, por ser concessão pública, as regras para cerceamento ou até encerramento da atividade devem ser claras e divulgadas para todos.
Por que é importante termos essa clareza? Por que a concessão pública é mantida com o dinheiro público. (Aliás, esse é o pulo do gato que o discurso de esquerda sempre omite. Para eles, é natural que um governo trate o dinheiro público como se fosse dinheiro do partido. Essa mania vem desde Karl Marx.)
Por exemplo, suponha que existisse uma regra dizendo o seguinte: “Em televisão, por ser concessão pública, fica proibida a emissão de opiniões onde os motivos de civis reagindo ao crime sejam compreendidos. Na televisão, apenas a compreensão dos motivos de estupradores, sequestradores e latrocidas é permitida”.
Pergunta: está escrito em algum lugar alguma regra deste tipo, de forma que todos os cidadãos pagadores de impostos possam ter ciência de que em cima do SBT está sendo aplicada apenas uma regra oficial e não uma pressão para beneficiar os interesses de um partido? Não, não existe essa regra.
Somente se uma regra assim existisse o discurso dizendo que “televisão é concessão pública, portanto X não pode ser dito” poderia ser aceito. E, sendo assim, o discurso dizendo que o governo pode “fazer o que quiser” é mais falso que previsão de horóscopo.
#04 – AMEAÇA DE CORTE DE VERBAS E DE CONCESSÃO PÚBLICA PARA SILENCIAR UMA JORNALISTA NÃO É CENSURA
Aqui temos a extensão da primeira rotina, onde o sujeito trabalha com uma manipulação semântica a respeito do termo censura.
O fato é que a censura sutil é caracterizada pelo corte de verbas e diversas outras formas de pressão econômica a partir do governo. A ameaça de corte de concessão pública é ainda mais grave, pois isso inviabiliza a atividade comercial de uma empresa.
Tanto uma forma como outra compreendem o uso do poder econômico do estado diante de empresas que estão em desvantagem contra o estado. Basta ver a receita do estado e a das maiores empresas do Brasil. Isso faz com que o governo tenha um altíssimo poder de coerção.
Em ditaduras formais (e menos eficientes), esse poder de coerção é exercido pela força física. Em ditaduras mais planejadas, esse poder é exercido por pressão econômica (liberação de verbas) e diversas formas de intervenção do estado na economia.
Alguns textos que demonstram o nível da canalhice de quem finge que censura sutil “não é censura”:
Aqui é fácil notar a sordidez tanto dos governos que promovem esse tipo de censura como de seus idiotas úteis que negam os fatos.
#05 – FALAR EM CENSURA AGORA SOBRE RACHEL É OFENSIVO, POIS ISSO OFENDE QUEM FOI TORTURADO (SUB-ROTINA: CENSURA SEM TORTURA NÃO É CENSURA)
Eu não vou dizer que Yuri é um psicopata. Mas que ele se comporta como um, quanto isso não há dúvidas. Não sei os motivos que o levam a fazer isso, mas não me interessa.
O truque dele aqui se baseia em fazer uma encenação vergonhosa para se fingir de ofendido, e, mais ainda, dizer que reclamar de censura hoje “ofende quem foi torturado”.
Eis a fraude: confundir censura com tortura. Na verdade, censura e tortura são duas coisas diferentes. Ambas são aparelhos de repressão de uma ditadura, mas servem a propósitos diferentes. Com a censura, é feito o controle do fluxo de informações. Com a tortura, o governo busca saber informações privilegiadas através da imposição da dor.
Ele tentou enganar sua plateia dizendo que “censura de verdade inclui uma sessão de tortura junto”, o que não passa de uma fraude até infantil. Na época do regime militar, o número de artigos e indivíduos censurados foi muito (mas muito) maior do que sessões de tortura ocorridas.
Aliás, a tortura era reservada principalmente aos terroristas. A censura, por outro lado, era muito mais abrangente.
Enfim, esse recurso de Yuri não pode nem sequer se qualificar como argumentação. Não passa de teatro, onde ele chora lágrimas de crocodilo.
#06 – FALAR EM CENSURA SOBRE RACHEL É IGUAL IR NO MC’DONALDS PEDIR QUE TE SIRVAM UMA SOPA E DIZER QUE O MC’DONALDS ESTÁ TE OPRIMINDO
O quão baixo alguém é capaz de descer? Será que há limites para a perda de dignidade? Depois de ver conteúdos como este publicado por Yuri, me recuso a falar em limites para a extrema-esquerda.
Conforme eu havia dito, essa rotina depende de uma fraude básica que está por trás de todo o discurso da esquerda radical: o estado é propriedade do partido, e, portanto, o partido pode fazer o que quiser com o estado.
Isso gera confusões mentais desse tipo, onde o energúmeno confunde aquilo que o McDonalds’ faz com o que o estado faz.
O problema é que o estado é mantido com nosso dinheiro, obtido pela força, com a premissa de que ele deve nos servir. Já o McDonald’s é uma empresa privada que vende aquilo que quiser. O McDonald’s e o governo não podem ser comparados pois o primeiro é uma instituição pública, e o segundo uma instituição privada.
Em suma, ninguém pode se dizer oprimido se o McDonald’s não vender o produto que ele quer. Aquela é uma empresa privada que escolhe o que quer vender. Ao mesmo tempo, qualquer um pode denunciar o estado por fugir de suas funções previstas na constituição.
A analogia de Yuri só mostra que o esquerdismo é uma doença mental, pois ninguém em sã consciência pode colocar as obrigações de uma empresa privada com seus clientes no mesmo nível que as obrigações de um estado com seus cidadãos, que pagam impostos sob coerção.
#07 – NÃO EXISTIU CENSURA, APENAS UMA RELAÇÃO PROFISSIONAL ONDE O DONO DA EMPRESA DISSE QUE RACHEL NÃO IRIA MAIS OPINAR
Aqui tudo não passa de mais um truque psicológico para omitir que essa ação do dono da empresa foi feita a partir de pressão ESTATAL.
Fique de olho em toda e qualquer instância deste tipo de discurso, pois se Sílvio Santos resolvesse demitir Rachel Sheherazade, não teríamos nenhum problema. O problema surge apenas quando o estado intervém com seu poder econômico (junto ao poder de coerção, pelo qual ele obtém impostos) para forçar o SBT a demitir Rachel.
Nesta rotina, Yuri tenta vender aquilo que ocorreu entre o SBT e Rachel apenas como uma “relação profissional”. Para isso, omite de forma fraudulenta a informação de que a tal “relação profissional” foi exercida somente a partir de intervenção estatal.
#08 – O QUE OCORREU COM RACHEL É IGUAL AO QUE OCORREU COM RAFINHA BASTOS
Como sempre, Yuri não se envergonha em mentir com uma cara de pau grotesca. Na verdade, o que ocorreu com Rachel é o exato oposto do que ocorreu com Rafinha Bastos.
No caso, Yuri menciona quando Rafinha foi tirado da Band a partir da pressão de um sócio da emissora, ofendido com a piada que ele fez sobre o filho de Wanessa Camargo.
O problema é que qualquer pessoa ou empresa pode fazer a pressão que quiser sobre uma emissora. Se uma pessoa física ou uma organização privada resolver parar de anunciar em uma emissora, essa sim é uma relação comercial vinda a partir de pessoas que podem fazer exatamente o que quiser com seu dinheiro.
Para essas pessoas e empresas a regra valendo é: “O dinheiro é meu. Eu faço o que eu quiser, desde que não cometa crimes. Inclusive boicotar a Band ou SBT”. Não há problema ético nenhum nisso.
O problema existe quando o partido que comanda o estado diz, junto com seus aliados: “O dinheiro é meu. Eu faço o que eu quiser. Inclusive retirar verbas do SBT”. É aí que temos um problema ético monstruoso.
Quando uma mente não consegue perceber a diferença absurda entre uma situação e outra, automaticamente ele está nos confessando entender que o dinheiro do estado é para ser usado em benefício do partido que está no governo. Isso não tem outro nome que não corrupção.
#09 – TANTO FAZ SE CENSURA PARTIR DE GOVERNO OU QUALQUER OUTRA PARTE
Mais uma vez ele se entrega, confessando achar que o dinheiro estatal pertence ao partido que está no poder. A doutrina na qual ele acredita é, sem dúvidas, orientada à promover a corrupção.
Vamos aos fatos. Ele está certo ao dizer que a censura pode ser exercida pelo governo ou qualquer outra parte. Mas ele comete um erro moral monstruoso ao dizer que “tanto faz”.
Se um anunciante privado usa seu poder econômico para boicotar uma empresa de mídia, ele não está usando dinheiro público, mas seu dinheiro. Se o dinheiro é deste anunciante, ele pode fazer o que quiser. E, como já disse antes, o governo simplesmente não pode fazer o que quiser com nosso dinheiro.
Ao menos as fraudes de Yuri nos ajudaram a mostrar que o radical de extrema-esquerda de fato acredita que o estado passa a pertencer ao partido que está no poder. No mínimo, é uma crença doentia. É a racionalização da corrupção, pura e simplesmente.
#10 – UM JORNAL DEMITIU UMA JORNALISTA POR QUE ELA FOI CONTRA A LINHA POLÍTICA DO MESMO. É IGUAL AO CASO DA RACHEL.
Mais uma vez, a comparação é completamente estapafúrdia. Qualquer organização pode ter uma orientação política e demitir alguém que não concorde com essa orientação política. O dinheiro é da organização e ela faz o que quiser. Isso vale para qualquer empresa.
Como sempre, Yuri bate na mesma tecla de dizer que o dinheiro de uma empresa pertence tanto à ela como o dinheiro público pertence ao partido que está no poder. Realmente, ele está pronto para virar um político do PT, PSOL ou PCdoB.
#11 – COMO RACHEL PODE FAZER VÍDEOS NO YOUTUBE, NÃO HÁ CENSURA A ELA
Novamente, temos uma instância da ampliação indevida. Aqui, ele diz que a censura só passa a existir se valer para todos os meios de comunicação.
É uma falácia tão grotesca e ignóbil como dizer que alguém só pode ser condenado por estupro se tiver violentado todas as mulheres da cidade. É uma besteira tão grande que nem valeria a pena comentar, mas não dá para deixar passar tamanho embuste.
Ele está dizendo que uma pessoa só tem sua opinião cerceada em um determinado meio de comunicação se tiver sua opinião cerceada em todos. É uma das técnicas mais torpes de negação de crime.
Na verdade, a censura estatal passa a existir a partir do momento em que o governo começa a controlar o fluxo de informações em um ou mais meios de comunicação.
Por exemplo, na época da censura militar os artistas sempre procuraram formas alternativas de se expressar, sempre driblando a censura federal nos principais meios. Se usássemos a lógica doentia de Yuri, teríamos que reconhecer que não existiu a censura no governo militar, por causa do silogismo que ele criou: “A existência de meios alternativos de comunicação para pessoas censuradas libera o censor da acusação de tê-los censurado nos principais meios”.
É ou não é um “gênio”?
Ver o vídeo abaixo, onde vocês podem notar que eu não exagerei:
via midia sem mascara

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