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sexta-feira, 18 de julho de 2014

O futebol socialista: a Copa do Mundo em 2030


Convidado de honra acena para multidão de voluntários
Estamos em 2030, e a Copa do Mundo será realizada na União dos Estados Bolivarianos, que engloba Venezuela, Argentina, Uruguai, Bolívia, Equador e, sim, Brasil. A Fifa, após receber bilhões de “argumentos” da cúpula da Unasul, financiados pela PDVSA, aceitou mudar todas as regras do jogo, para organizar a primeira Copa totalmente socialista.
Para começo de conversa, o salário de todos os jogadores deve ser igual. Sem essa de craques goleadores receberem milhões a mais só porque fazem o espetáculo mais incrível, atraindo milhões de espectadores extras. O nome do jogo é igualdade, não meritocracia.
Haverá cotas raciais também. Cada time deve ter um percentual de 20% de indígenas e mais 40% de afrodescendentes, apesar de alguns neoliberais terem argumentado que, no caso do futebol, talvez fizesse mais sentido adotar cotas para brancos.
Os árbitros gozam de total autonomia para intervir a qualquer momento no jogo se acharem que há muita desigualdade em campo. Podem, por exemplo, atribuir que um gol do time mais fraco vale dois do time mais forte, para equilibrar a partida. Podem também estipular que qualquer falta, mesmo fora da área, é pênalti para o time que estiver perdendo. Os fracos precisam ser protegidos.
Os jogos serão realizados em nada menos do que 20 “arenas”, construídas do zero com dinheiro público. O transporte oficial será o jegue, em nome da simplicidade, pois é pura babaquice da elite branca demandar metrô com acesso aos estádios. Só a comitiva dos governantes terá limousines e tapetes vermelhos à disposição, pois todos são iguais, mas alguns mais iguais que os outros.
Todos os torcedores terão de ir aos estádios vestindo roupas vermelhas, em homenagem ao socialismo redentor. Os Estados Unidos foram devidamente barrados da Copa, pois o imperialismo não combina com confraternização tão linda. Coreia do Norte e Irã são os convidados de honra.
Aos latino-americanos foi facultado o direito de morder os adversários, como medida compensatória pela vergonhosa decisão da Fifa em 2014, de punir o pobre jogador uruguaio só por ser de país colonizado em vez de colonizador e estar com fome durante o jogo, por culpa do capitalismo e dos ianques.
Ao término das partidas, foi decidido que não haverá um vencedor, o que seria um estímulo à meritocracia burguesa. Para impedir tamanha injustiça e fomentar o coletivismo igualitário, a final terminará empatada, e todos os times entrarão no gramado para receber o troféu Fidel Castro, simbolizando a vitória coletiva. Competição é coisa de capitalista insensível, afinal de contas.
Alertados pela Fifa para a possibilidade de retumbante fracasso de público, os organizadores bolivarianos já se comprometeram a criar o Bolsa Copa, distribuindo ingressos gratuitos nas comunidades carentes. Caso nem assim haja grande adesão, “médicos” cubanos foram contratados para garantir, com táticas modernas de persuasão da era Lênin, a presença de todos nos estádios.
Ainda bem que a Copa não é mais um evento capitalista e competitivo!
Rodrigo Constantino

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