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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O silêncio dos covardes. Ou: O inferno é o muro

“Quem poupa o lobo mata a ovelha”. (Victor Hugo)

“Os lugares mais quentes do inferno são destinados aos que, em tempos de grandes crises, mantêm-se neutros”. (Dante Alighieri)
No poema “Caminhando com Maiakóvski”, de Eduardo Alves Costa, esse perigo da covardia moral é ilustrado de forma interessante:
“Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz,
e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.”
Na mesma linha, o texto de Martin Niemöller representa um ícone da resistência ao nazismo:
“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar.”
A mensagem é muito clara: o silêncio dos covardes um dia se volta contra eles mesmos! A complacência de hoje é paga com o sangue de amanhã. “Tudo que é necessário para o triunfo do mal é que as pessoas de bem nada façam”, alertou Edmund Burke. Ou ainda, em uma imagem:
O muro
Rodrigo Constantino

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