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terça-feira, 3 de março de 2015

A visão da glória, além das circunstâncias...


Imagem disponível na Internet.

 “[...] Outros foram torturados até a morte;
eles recusaram ser postos em  liberdade
a fim de ressuscitar para uma vida melhor.
[...] O mundo não era digno deles!”
Hebreus 11:35,38 – NTLH


A perfeição magnânima de um céu azul, de nuvens brancas e cinzas mesclado, nuvens rasgadas pelos raios de sol do ocaso, que insistem em fazer seu espetáculo bem diante dos nossos olhos, antes que a noite o encerre atrás de sua cortina estrelada.

Indescritível paisagem adornada pelos morros distantes, forragens, pastagens e plantações, qual tapete de mato verde, intercaladas com árvores de vários tipos, tamanhos e espécies, compondo cenários que encantam os olhos e anestesiam a alma.

Viajantes solitários se perdem nesses instantes de pura beleza que nos remetem à grandeza do Criador. Uma inevitável paz arrebata o coração de quem se põe a contemplar tal cenário com que a natureza nos presenteia, enquanto retornamos para casa após mais uma viagem de trabalho.

Mas árvores de troncos retorcidos, eucaliptais, pedras reviradas, porteiras e até povoados à beira da estrada, vez por outra, atrapalham a visão. As belas paisagens somem por trás das grandes paredes de eucalipto ou de terra talhada que ladeiam o asfalto, por onde seguimos viagem.

Atrapalham a visão do esplendor da glória, tal como aquelas pessoas, coisas e circunstâncias que constantemente tentam atrapalhar nossa visão da presença de Deus, e comumente conseguem. Daí, o antagonismo preciso: A imensidão do encanto que nos arrebata diante de Deus é tão grande quanto o medo que nos domina quando deixamos de enxergá-Lo.

É um caminho de volta para o lar que se torna mais ameno e motivador quando contemplamos a visão dos Céus tendo nossos corpos ainda aqui, na terra.

Não me esquecerei da cena que fez transbordar meu coração em compaixão e incendiou minha alma, ardendo em mim a vergonha de ser o cristão que sou, e ampliando o meu amor pelo Deus que faz até a morte dos Seus santos ser um exemplo de nobreza da qual o mundo não é digno.

Enquanto algozes se preparavam para cortar suas gargantas diante do mundo, cristãos inocentes conversavam com Deus e entregavam as suas almas nas mãos Daquele que venceu a morte. Seus lábios se moviam mansamente diante das câmeras, mas suas palavras causavam alvoroço nos Céus. Aqueles homens corajosos estavam prestes a entrar pelos portões celestiais por defenderem até a morte o nome do Cristo que é a ressurreição e a vida, pois sabiam que mesmo que estivessem mortos, crendo em Jesus, viveriam eternamente.[1]

A Líbia perdeu 21 cristãos coptas, mas os céus foram acrescidos pela chegada deles ali. E do além se ouviram os aplausos dos anjos.

Nesse nosso retorno para casa, alguns de nós não aceitam negar sua fé, mesmo que o horizonte pareça desaparecer totalmente por detrás dos altos barrancos. Vez por outra, se sentem sós, abandonados, infelizes, porém, não negam o precioso nome de Cristo. E eles, tal como estes irmãos coptas, não erram jamais o caminho de volta para o Lar.

Mas há quem despreze a fé, abandone o caminho, se perca em ilusões paralelas ou na angústia das suas fraquezas. Deixam de ver o horizonte. Deixam de esperar pelo fim da jornada. Erram, desviam-se por atalhos, perdem o destino da vida eterna e não voltam mais.

Quando a mãe de dois daqueles mártires coptas foi questionada sobre o que faria se visse um dos seus assassinos na rua, suas palavras foram: “Convidaria-os para entrar em minha casa, porque eles nos ajudaram a entrar no Reino dos Céus.” Não se tratam de palavras de um beneficiado com a teologia da prosperidade, praticante da confissão positiva ou seguidor de qualquer outro tipo de evangelho sem profundidade, desses que são vendidos em muitas esquinas por aí. Mas, sim, palavras de alguém que aprendeu a “amar os inimigos e abençoar os que nos amaldiçoam”[2], porque segue os rastros do Filho de Deus e vivencia o Evangelho da cruz, a ferramenta mestra na edificação da Igreja do Senhor até os dias de hoje. São palavras de alguém que sabe que as paisagens gloriosas dos horizontes celestiais estão por detrás dos imensos conjuntos de eucaliptos, e aguardam ansiosas por serem trilhadas pelos seus formosos pés.

Que Deus nos dê a graça de permanecermos firmes, contemplando Sua gloriosa presença enquanto prosseguimos de volta para o Lar. Que nossos lábios expressem o louvor que nossos corações sentem, e a certeza que nossas vidas também estão entregues nas mãos do Senhor.

Que, independente de sermos ou não degolados e expostos para o mundo por não negarmos a Jesus, seja morto em nós o velho homem, de forma que nossas vidas continuem suas histórias propagando o exemplo de fé, dependência e fidelidade ao Senhor, a exemplo desses bravos irmãos coptas que, na simplicidade de uma praia, num dia de extermínio, pela sua devoção impressionaram o mundo.

E, no final de tudo, nos encontraremos, em glória, com eles na eternidade onde felizes já descansam, onde o Céu é ainda mais belo e perfeito do que qualquer paisagem ou visão que possamos ter aqui.









[1] João 11.25
[2] Palavras de Beshir, irmão de dois cristãos coptas mortos pelo Estado Islâmico (EI) na Líbia, em fevereiro de 2015.
Fonte: http://teamomeujesus.blogspot.com.br/2015/02/a-visao-da-gloria-alem-das.html

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