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sábado, 4 de abril de 2015

PELOS MORTOS NOS CONFRONTOS COM O TERRORISMO


(Texto proferido pelo Gen Ex Armando Luiz Malan de Paiva Chaves antes da Bênção Final da Missa em Ação de Graças pela Reconciliação Nacional, celebrada pelo Coronel-Capelão Chefe do SAREX José Eudes da Cunha em 31 Mar 2015, na Catedral Militar de Brasília)
A data de hoje lembra a contrarrevolução irrompida em 1964. Porém não estamos aqui para festejá-la – embora razões haja.
A motivação que nos congraça não são festejos. É a piedade. É a lembrança e o preito de saudade, de homenagem, de oração, que prestamos aos muitos sacrificados nos embates por seu ideal, fosse no cumprimento do dever, fosse na conquista de objetivos políticos. Ou aos inocentes que pereceram na voragem dos confrontos, sem saberem o porquê de sua imolação.
A vocação brasileira para a paz e a harmonia foi combalida pela violência dos entrechoques, comparável em mínima escala aos vitimados em outros países de muito menor população. Ainda assim os números comovem. Foram mais de meio milhar os mortos, somando os de ambas as partes e os alheios a qualquer compromisso. É a eles, sem distingui-los, que elevamos nossas preces.
Conhecemos, muito de perto, na família, o ideal de jovens que, em seu entusiasmo de juventude, se deixaram levar para o confronto. Muitos pereceram na luta armada, na plenitude de seus verdes anos, alguns pelas mãos dos próprios companheiros. Não cabe hoje julgá-los, mas nos apiedarmos. Oremos por suas almas.
Camaradas de armas que prezamos foram levados a aprender a lutar em combate muito diferente do que lhes fora ensinado em sua formação. Por dever de ofício, enfrentaram conterrâneos, não inimigos estrangeiros, purgando, no fundo da alma, pela luta contra irmãos. Pagaram o preço de seu sangue e da própria vida. Assim também policiais civis e militares, embora treinados para enfrentar a contravenção. Roguemos ao Altíssimo por seu descanso eterno.
Que essa missa, de iniciativa da Associação dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira, possa nos iluminar o caminho da fraternidade. Que leguemos ao olvido nossas mágoas e caminhemos, se não para o perdão, para o esquecimento, a anistia que os poderes concederam mas os homens não aceitaram.
Gen Ex Armando Luiz Malan de Paiva Chaves

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