sexta-feira, 23 de agosto de 2019

A polícia errou ao matar o sequestrador?


A dúvida é se a polícia do Rio de Janeiro teria errado ou sido precipitada ao usar um sniper ou atirador de precisão para abater o sequestrador que ameaçava matar os passageiros de um ônibus sobre a Ponte Rio-Niterói. Não, a polícia não errou e existe amparo bíblico para isso. Deus ordenou na Lei dada por meio de Moisés que sequestradores fossem mortos. Ali não diz que seriam mortos apenas se representarem ameaça de morte para o sequestrado, mas simplesmente que o fato de sequestrar já seria passível de morte. Em 1 Timóteo lemos de uma lista de iniquidades, entre elas "raptores de homens" (1 Tm 1:10).


O Livro de Deuteronômio reforça a malignidade desse crime, que a legislação brasileira passou a considerar hediondo: "Se alguém for flagrado sequestrando um de seus irmãos israelitas para usá-lo como escravo ou vendê-lo por dinheiro, o sequestrador deverá morrer. Assim eliminarás o mal de teu meio."(Dt 24:7 NVI). José, em sua prisão, relata ter sido ele próprio vítima de sequestro: "Com efeito, fui sequestrado da terra dos hebreus e, mesmo aqui, nada fiz para me trancarem na prisão” (Gn 40:15 CNBB).

É claro que na sociedade "moderna", quando os homens se acham mais sábios que Deus, a opinião é a de que o sequestrador deve ser tratado com brandura e tentada sua reabilitação, nunca sua execução sumária. Mas quando Noé saiu da arca Deus instituiu o governo, dando ao homem autoridade para matar seu semelhante dentro da legalidade.

Não entender isso é achar que o mundo tem conserto deixando o barco correr. Não tem, e a autoridade "é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal." (Rm 13:4). Ninguém interpretaria "espada" aí como luva de pelica para afagar bandido. Espada é uma arma mortal para ser usada quando a circunstância exigir.

Para isso existem policiais e soldados, e mesmo que não exista no Brasil pena de morte por forca, cadeira elétrica ou injeção letal, o policial tem poder de morte para executar um criminoso que coloque vidas em risco. Um cristão nunca deveria contestar isso sob pena de estar se opondo ao próprio Deus que instituiu a autoridade.

Se, por um lado, a habilidade da polícia em neutralizar o sequestrador e eliminar o risco para vidas inocentes foi louvável, a morte do criminoso nunca deveria ter sido comemorada como vitória. Digo isto por dois motivos. Primeiro, porque Deus não tem prazer na morte do mais ímpio pecador, e segundo, porque a simples existência de crimes assim demonstram a ruína em que se tornou a humanidade da qual todos fazemos parte.

Vibrar pela morte do criminoso é como achar que se pode ficar tranquilo porque o buraco está no outro lado da canoa. Somos todos igualmente culpados pela ruína e temos dentro de nós os mesmos ingredientes que tinha esse sequestrador para praticar um crime como o que ele praticou e até piores. Ou você nunca viu um pai de família que parecia ter uma auréola na cabeça um dia matar sua própria família ou fazer outras barbaridades? Aí os comentários são sempre do tipo: "Eu nunca imaginaria que o fulano fosse capaz...". Sim, ele era capaz e eu e você também somos. A Palavra de Deus afirma categoricamente que:

"Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria;  e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos." (Rm 3:10-18).

Nem tente se excluir desse "não há um justo... não há ninguém que faça o bem..." porque toda a malignidade de um coração está sempre latente e pronta para se manifestar. "Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias." (Mt 15:19).

No entanto o desejo de Deus é pela conversão e salvação de todos, e não por sua morte. Ele diz: "Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva? ... Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva." (Ez 18:23; 33:11).

"E, Naquele mesmo tempo, estavam presentes ali alguns que lhe falavam dos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios. E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis. E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém? Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis." (Lc 13:1-5).

Antes de ser enviado em sua missão de libertar o povo hebreu do Egito o Senhor quis deixar claro q Moisés que, apesar dos poderes que lhe dava, de transformar sua vara em serpente e outros mais, ele era tão pecador quanto qualquer egípcio que os escravizava. Na Bíblia lepra é figura do pecado, e esta passagem faz todo sentido se a lermos lembrando de onde procedem todos os males citados pelo Senhor em Mateus 15:19: "do coração".

"E disse-lhe mais o Senhor [a Moisés]: Põe agora a tua mão no teu seio. E, tirando-a, eis que a sua mão estava leprosa, branca como a neve." (Êx 4:6).

Alguém poderia argumentar que no Antigo Testamento o Senhor mandava seu povo de Israel tomar cidades e matar seus habitantes. Quando isso acontecia era porque todas as chances daquele povo se arrepender de suas iniquidades tinham sido esgotadas, e o volume de maldade havia atingido a medida máxima. Em alguns casos ele mostrava que deveria ser aguardada essa medida antes de lançar juízo sobre um determinado povo: "Na quarta geração, tornarão para aqui; porque não se encheu ainda a medida da iniquidade dos amorreus." (Gn 15:16).

Há quem utilize Provérbios 11:10 para justificar a comemoração pela morte dos ímpios, pois ali diz: "Perecendo os perversos, há júbilo". Uma coisa é o sentimento de Deus, como foi expresso por meio dos profetas em Ezequiel 33:11, que mostra que ele não tem prazer na morte do ímpio, mas em que se converta. Outra é o sentimento do povo. A diferença é enorme, e o cristão deve buscar sempre ter o sentimento de Deus, e não o sentimento do povo de Israel, como em Provérbios 11, que era apropriado para uma época quando Deus mandava seu povo tomar uma cidade e matar a todos ali, como nessa declaração contra Babilônia: "Ah! filha de Babilônia, que vais ser assolada; feliz aquele que te retribuir o pago que tu nos pagaste a nós. Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras." (Sl 137:8-9). 

Mas se ler atentamente o livro do profeta Jonas verá o quão misericordioso é Deus e o quão mau e vingativo é o homem, representado ali por Jonas. E este deve ser o sentimento do cristão, porém sem atropelar a ordem que Deus estabeleceu, que é a de termos autoridades para punir o mau, e até mesmo matá-lo. Mas não cabe ao cristão, como indivíduo, fazer isso, e sim conhecer o sentimento do Senhor, como quando seus discípulos quiseram fazer descer fogo do céu para incinerar os habitantes de uma aldeia que não quis receber Jesus.

"E aconteceu que, completando-se os dias para a sua assunção, manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém. E mandou mensageiros adiante de si; e, indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos, para lhe prepararem pousada, mas não o receberam, porque o seu aspecto era como de quem ia a Jerusalém. E os seus discípulos, Tiago e João, vendo isto, disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez? Voltando-se, porém, repreendeu-os, e disse: Vós não sabeis de que espírito sois. Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. E foram para outra aldeia." (Lc 9:51-56). 

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