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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

George Orwell, o Big Brother e a tremenda cara de pau de Verissimo

Verissimo não se emenda mesmo. A cada crônica nova, mais uma mensagem antiamericana boboca. Sempre protegido pelo manto do humor (ou tentativa de fazer humor), o filho de Érico tenta defender o socialismo e condenar o capitalismo. No artigo de hoje, ele simplesmente resgata George Orwell, para afirmar que são os Estados Unidos que chegaram na distopia profetizada pelo jornalista. Diz ele:
George Orwell não foi, afinal, um mau profeta, foi apenas um profeta apressado. A sociedade controlada por um Big Brother que tudo vê e tudo sabe, que Orwell previu para 1984, só começou a existir, com os avanços da bisbilhotice eletrônica, há pouco tempo. Hoje sabemos que tudo que mandamos por e-mail ou falamos pelo telefone, mesmo que seja apenas notícia do furúnculo da vovó, pode estar sendo monitorado. Os americanos, principalmente, têm os meios para nos controlar completamente, todo o tempo, dia e noite. Não é mais o Big Brother, mas o Big Uncle, o grande tio do Norte, de olho em todos nós.
Notem que não é Cuba o exemplo citado pelo colunista, onde há escutas dentro de casa, as pessoas não podem confiar em ninguém, pois qualquer um pode ser delator da ditadura, e criticar o regime pode acabar em prisão.
Tampouco é a Venezuela socialista o exemplo citado, onde jornalistas são perseguidos e empresários são presos. Também não usa o nosso caso, onde um simples caseiro tem sua conta bancária devassada por um governo autoritário.
O exemplo para ilustrar o acerto da “profecia” * de Orwell é o caso americano, por causa da espionagem (que todos os governos fazem). Eis que Orwell, que condenava o totalitarismo comunista, virou, para Verissimo, uma arma contra o “totalitarismo” americano.
Não que os Estados Unidos não mereçam críticas, especialmente sob o governo do “progressista” Obama, sempre tão aplaudido por Verissimo. De fato, Obama fez Bush parecer um grande defensor dos valores republicanos, e abusa do poder político como poucos. Mas os Estados Unidos, mesmo sob o esquerdista Obama, estão longe de ser um país totalitário.
O que Orwell não foi capaz de prever, portanto, foi a tremenda cara de pau de socialistas hipócritas que, do conforto da liberdade, cospem nos países mais livres enquanto aplaudem tiranias.
* Coloquei profecia entre aspas porque, na verdade, Orwell já sabia o que era o stalinismo. Seu grande mérito foi ter capturado como poucos o estilo de vida sob um regime totalitário, sendo que nunca viveu em um. A desconfiança generalizada, o medo constante, a humilhação pelo governo, a dissonância cognitiva por ter de elogiar algo que se sabe podre, isso que Orwell apontou como poucos.
Abaixo, segue um texto que escrevi sobre o Grande Irmão orwelliano:
O Grande Irmão 
“Não é fazendo ouvir a nossa voz, mas permanecendo são de mente que preservamos a herança humana.” (George Orwell)
Em seu famoso livro 1984, George Orwell descreveu em que transformaram-se as nações socialistas. Escreveu o excelente livro ainda na década de 1940, e já tinha os exemplos nazista e bolchevique para sua análise dos resultados práticos do socialismo. Mas ainda assim foi de uma clarividência incrível ao mostrar como funciona a mentalidade do socialista, e quais as conseqüências disso. Lembremos também que a propaganda de Stalin e sua “cortina de ferro” não deixavam transparecer ao mundo as atrocidades cometidas em casa. O “profeta” Orwell merece respeito por sua acurácia!
Orwell define que a nova aristocracia que tomaria o poder pelo socialismo seria composta, na sua maioria, de burocratas, cientistas, técnicos, organizadores sindicais, peritos em publicidade, sociólogos, professores, jornalistas e políticos profissionais. Esta gente, cuja origem estava na classe média assalariada e nos escalões superiores da classe operária, fora moldada pelo mundo do governo centralizado, onde a liberdade individual precisa ser combatida.
Como o próprio autor diz, “comparada com os seus antecessores, era menos avarenta, menos tentada pelo luxo, mais faminta de poder puro e, acima de tudo, mais consciente do que fazia e mais decidida a esmagar a oposição”. A oligarquia procura o poder pelo poder, sem interesse real no bem-estar alheio. Não é a ditadura um meio para a “revolução”, mas sim a revolução um meio para se chegar à ditadura! São algumas características inerentes dos ícones do socialismo.
A manipulação da mente é um dos principais mecanismos da manutenção do poder. O advento da televisão tornou ainda mais fácil manipular a opinião pública, e pela primeira vez existia a possibilidade de fazer impor não apenas completa obediência à vontade do Estado, como também completa uniformidade de opinião em todos os súditos. A única base segura da oligarquia é o coletivismo, já que a riqueza e o privilégio são mais fáceis de defender quando possuídos em conjunto.
Por isso a chamada “abolição da propriedade privada” sempre é defendida pelos socialistas, e acaba sendo, na verdade, a concentração da propriedade em um número bem menor de mãos, as dos donos do poder. Para isso, abusam da distorção lingüística, com termos abstratos como “justiça social”, “direito à cidadania”, “controle participativo da sociedade” etc. Pura retórica coletivista para a tomada de poder da nomenklatura.
No livro, Orwell diz que há quatro modos de um grupo governante abandonar o poder, podendo ser vencido de fora, permitindo o aparecimento de um grupo médio forte e descontente, perdendo a confiança em si e disposição de governar ou pela revolta das massas. Mas estas quase nunca se revoltam espontaneamente, e se não lhes for permitido um padrão de comparação, nem ao menos se darão conta de que são oprimidas. A classe média representa um perigo maior, e por isso é sempre o alvo principal dos governantes socialistas. Os impostos escorchantes já encomendaram sua extinção! A ameaça externa é muitas vezes usada como pretexto para aumento do controle interno, assim como fortalecimento do aparato militar do partido. Hugo Chavez que o diga!
O ódio é sempre fomentado, e quando não há inimigos reais, cria-se. Espera-se que o membro do partido viva num frenesi contínuo de ódio aos “inimigos” estrangeiros e aos “traidores” internos, desviando suas emoções para tais coisas. O “neoliberalismo”, o “império ianque”, o FMI, Bush, são todos bodes expiatórios usados para despertar esse ódio instintivo. Não pode haver lugar para a razão, para uma busca imparcial de fatos. O domínio do sentimento sobre o cérebro deve ser total. O grande inimigo real do partido é o “pensamento independente”. Ele precisa ser abolido!
Um dos meios de controle mais interessantes, e bastante abordado por Orwell, é a manipulação da mente. O autor criou, em sua Novilíngua, o termo “duplipensar”, que representa a capacidade de guardar simultaneamente na cabeça duas crenças contraditórias e aceitá-las ambas. A estupidez não basta. Pelo contrário, é exigido sobre o processo mental do indivíduo controle tão completo quanto o de um contorcionista sobre seu corpo. O Grande Irmão é onipotente e o partido é infalível. Para isso, deve haver uma incansável flexibilidade na interpretação dos fatos. O relativismo deve ser constante, sempre interpretando fatos sem objetividade, para que a “verdade” esteja eternamente com o partido. O passado deve ser alterado, e realmente vemos como os socialistas costumam rescrever a História com freqüência.
O membro do partido consegue dizer mentiras deliberadas e nelas acreditar piamente. Como descreveu Orwell, “esse particularíssimo amálgama de opostos: sabedoria e ignorância, cinismo e fanatismo, é um dos sinais que distinguem a sociedade (socialista)”. Vamos verificando essas características em todos os países ou partidos socialistas. Ora a “soberania nacional” diz que uma nação democrática não pode criticar outra sem liberdade, como quando Lula defendeu a Venezuela e Cuba das acusações americanas, ora a mesma “soberania nacional” é ignorada quando uma nação autoritária invade outra livre, como China no Tibete ou a ajuda venezuelana na revolução da Nicarágua. São eternos dois pesos, e duas medidas.
Todo partido socialista mantém alguns ou vários desses ensinamentos e características. O que interessa é o poder! Para isso, abusam do relativismo, mantêm sempre idéias contraditórias na mente, gastam bilhões em propaganda e lavagem cerebral, apelam para o culto à personalidade, escancaram no uso da novilíngua, com excesso de termos vagos e maleáveis, dependendo do que se queira defender no momento, e criam constantemente bodes expiatórios externos.
O discurso é sempre coletivista, tentando aniquilar com o indivíduo perante a “sociedade”, o “interesse nacional” ou o “bem geral”. Desqualificam oponentes com rótulos, agressões pessoais constantes e apelo numérico, como se fosse o número de adeptos que definisse a lógica do argumento. O Estado é visto como um deus, mesmo que suprima a liberdade dos cidadãos nos mínimos detalhes. Detestam a liberdade de escolha. Todos devem obediência e amor ao “iluminado” Grande Irmão!
Rodrigo Constantino
http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/democracia/george-orwell-o-big-brother-e-a-tremenda-cara-de-pau-de-verissimo/

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