quinta-feira, 10 de julho de 2014

A goleada das goleadas

Publicado em 

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Artigo publicado no Correio Popular de Campinas, seção Opinião, edição de 10 de julho de 2014.
Nossa decadência parece não ter limites. A última fronteira foi cruzada – fomos humilhados no que éramos considerados deuses, e o país do futebol assistiu à goleada das goleadas. Tudo parece culminar para a aniquilação completa das virtudes no Brasil.
Este é o castigo final para o país que não se prepara para nada. No período de uma década algumas nações do mundo foram capazes de gerar mudanças profundas e positivas em suas histórias. Em quase doze anos o PT não só paralisou o Brasil, mas empurrou-o para trás. Os governos petistas foram tão competentes como nossa seleção, e temos tomado gol atrás de gol.
1 x 0 – Educação
Quando o PT começou a governar o Brasil éramos o último colocado no exame PISA, ocupando o 40o lugar. Durante esses doze anos vários países foram adicionados à lista de participantes, e o Brasil conseguiu se manter nas últimas colocações, sempre próximo à 60aposição. Não houve melhoras, nem conquistas, nem planos, nem ações, nem nada. A educação brasileira foi tratada pelos governos petistas com o maior descaso possível.
2 x 0 – Inflação
O país que havia enfrentado uma inflação absurda e que conseguiu estabilizar a moeda através do Real viu a demolição sistemática dos pilares que sustentavam nossa economia. Se na área da educação houve abandono, aqui foi pior: houve a ação do pior tipo, com as piores consequências. Os governos petistas, especialmente o de Dilma Rousseff, abandonaram as práticas econômicas saudáveis, e hoje temos uma inflação anual que caminha novamente para dois dígitos.
3 x 0 – Liberdade de Expressão
Por trás do governo existe um partido que tem em seu DNA a censura e o desrespeito à única garantia contra governos despóticos. Por mais que Lula e Dilma falem em respeito à imprensa, o PNDH, o Marco Civil da Internet e as tentativas de regulação da mídia mostram que o discurso presidencial é nada além de vazio.
4 x 0 – Propriedade Privada
Quilombolas, indígenas, MST e MTST são alguns exemplos de como a propriedade provada no Brasil está deixando de ser algo concreto para se tornar um conceito difuso e circunstancial. Muitos proprietários rurais estão perdendo suas terras injustamente, num verdadeiro gol contra do PT, que escolheu mimar os ditos movimentos sociais que formam hoje a maior força civil armada do Brasil.
5 x 0 – Diplomacia
O Itamaraty já foi considerado exemplo mundial de excelência em diplomacia. Por questões ideológicas os governos petistas abandonaram esta excelência e passaram a flertar com tiranos e déspotas de todos os tipos. As relações com as nações europeias e com os EUA foram mantidas em fogo brando, enquanto Irã, Cuba e Venezuela foram contemplados com nossos maiores esforços e nossa maior atenção. Em vez de fortalecer o Brasil diante dos grandes optaram por tentar nos alçar à liderança dos párias.
6 x 0 – Segurança
O Brasil chega a 2014 com a marca impressionante de 56.000 assassinatos por ano. Somos responsáveis por 10% de todas as mortes violentas do planeta. Morrem no Brasil, em um ano, mais pessoas do que em guerras inteiras. Chechênia, Angola, Iraque, Israel-Palestina – nada é páreo para o Brasil petista. A leniência na aplicação das leis, o desarmamento da população e o sentimento geral de impunidade foram o solo perfeito para essa experiência macabra.
7 x 0 – Corrupção
O partido que pregava a virtude conseguiu fazer tudo de forma oposta ao que se propunha. Não só se aliou a diversos inimigos políticos antigos, que de abomináveis passaram a excelentíssimos, como implementou o Mensalão. Mas isso não seria suficiente. Em vez de expulsar os criminosos de sua estrutura, o PT defendeu e ainda defende seus membros condenados, afrontando a mais alta corte judicial do país e, por extensão, todos os brasileiros que ansiavam por justiça.
7 x 1 – ?
Esta seleção manchou uma história de glória com a maior das vergonhas. Em vez de apenas perder, conseguiu entrar para a história pela porta de trás, batendo recordes negativos. Fizeram com a camisa amarela de cinco estrelas o que o governo atual faz com nossa democracia: mancharam para sempre. Somente muitos anos de trabalho sério poderão reverter um resultado tão ruim, na política e no futebol.
Fica a pergunta: será que marcaremos nosso gol em outubro, e demitiremos toda a “comissão técnica”?

Flavio Quintela é bacharel em Engenharia Elétrica, escritor, tradutor de obras sobre política, filosofia e história, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim

Confusão entre país e seleção esconde o inegável fracasso da Copa

ESCRITO POR JOSÉ MARIA E SILVA - 07 de julho de 2014
O balanço da Copa é, sem dúvida, totalmente negativo. O país gastou o que não podia; o investimento privado não veio; as obras estruturais não saíram das planilhas; os voos ficaram aquém do esperado; o comércio vendeu menos do que no Dia das Mães; obras foram feitas a toque de caixa, irresponsavelmente, chegando a cair um viaduto em Belo Horizonte.
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Definitivamente, a aposentadoria precoce do ministro Joaquim Barbosa, do Supremo, comprova que o Brasil é um país sem heróis. E o Hino Nacional Brasileiro, apropriado pelo futebol, é o retrato desse país “de menor”, que jamais alcança a maioridade moral e se coloca diante da vida como uma torcida organizada. A própria noção de patriotismo nada tem a ver com o país em si, mas com uma disputa futebolística que ocorre de quatro em quatro anos, embalada pelo Hino Nacional, que, por sinal, reflete, sem querer, os defeitos da nação. Seus versos iniciais transformam o mero córrego do Ipiranga num grande Nilo tropical, que banha a própria nação, e ainda enaltece o brado retumbante do povo heróico que vive às suas margens.
Todavia, o poeta Osório Duque Estrada logo se contradiz e, numa espécie de ato falho, chama o Brasil de “gigante pela própria natureza”, como se confessasse que nele habita uma humanidade anã que não merece ser cantada. A quase totalidade do Hino Nacional é uma loa às belezas naturais do Brasil – um sestro deste país para inglês ver. Machado de Assis dizia que essa “adoração da natureza” era “um modo de pisar o homem e suas obras” e ironizava todos aqueles que viviam elogiando a natureza brasileira: “Eu não fiz, nem mandei fazer o céu e as montanhas, as matas e os rios. Já os achei prontos.”
Como escrevi há quase dois anos, em artigo sobre a educação brasileira datado de 19 de agosto de 2012, “se Machado de Assis encarnasse uma de suas criaturas, o defunto-autor Brás Cubas, e se fizesse cronista póstumo deste Brasil da Copa e das Olimpíadas, haveria de notar que as coisas pioraram ainda mais e que já não é apenas a geografia do país que se conforma em ser cartão-postal — hoje, é a própria alma da nação que se entrega feito natureza morta ao olhar estrangeiro”.
Através do carnaval e do futebol, o brasileiro é convocado a encarnar em sua própria alma a aparência que o mundo espera dele – um ser feito exclusivamente de sentidos, em que o instinto é muito maior do que a razão. É como se não fôssemos indivíduos, mas exóticas paisagens sociais. E a Copa do Mundo, especialmente agora que está sendo realizada no país, reforça esse papel. Daí a imagem recorrente do negrinho jogando bola nas ruas da periferia, que se tornou o símbolo por excelência do Brasil, desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encarnou o espírito do general Emílio Médici e decidiu quebrar o país para realizar a Copa do Mundo.
Chutando o futuro do País

A “Pátria de Chuteiras”, cantada por deslumbrados sociólogos burgueses como Roberto DaMatta, tornou-se a essência do Estado nacional, capaz de justificar até os R$ 25 bilhões gastos com a Fifa, a Globo e as empreiteiras, dos quais mais de R$ 20 bilhões saíram diretamente dos cofres públicos. É o futuro do país literalmente chutado por uma elite moralmente pusilânime, que, incapaz de abdicar de sua cara diversão (90% dos que vão aos jogos da Copa são das classes A e B), reforçam nas massas o gosto pelo futebol, obrigando até as mulheres – mais de 50% da nação – a suportarem esse esporte que nunca lhes disse nada, a despeito de elas fingirem que diz, sobretudo para agradar maridos e namorados, como costuma acontecer com a alma feminina em todos os setores da vida, desde a mulher bem-sucedida que sacrifica a profissão para manter o casamento (coisa que um homem raramente faria) até a operária que sacrifica a própria vida e a liberdade para sustentar o companheiro criminoso na cadeia.

O indefectível negrinho de periferia com a bola nos pés, presente em toda publicidade, reflete o arraigado preconceito das elites letradas e endinheiradas, que, esquecendo-se de Cruz e Sousa e Lima Barreto, tratam o negro como um ser descerebrado, incapaz de aparecer com um livro nas mãos. Mas, de todas as nefastas propagandas do gênero, a que mais me indignou foi a de um banco ou cartão de crédito em que um negrinho aparecia beijando a bola com uma frase asquerosa que traduzia o gesto indecoroso: “Este amor é para toda a vida”.
Não sei se a frase é exatamente essa e, felizmente, não lembro o nome do anunciante, numa prova de que, ao menos comigo, essa propaganda asquerosa não surtiu efeito. Mas a frase, em essência, transformava a relação do negrinho com a bola num amor exclusivista e eterno, acima de pátria e família, e não sei por que – aliás, sei muito bem, mas fica para outro artigo – me remete à aposentadoria precoce do ministro Joaquim Barbosa, que, a seu modo, encarnou aquele pequeno escravo da bola, ao literalmente chutar para escanteio a sua missão no Supremo, ainda por cima alegando que ela lhe tirava a privacidade para frequentar bares.
A imagem do negrinho beijando a bola e declarando a ela seu amor eterno chega a ser moralmente criminosa. Ela reforça a ideia de que o futebol é o único meio de ascensão dos negros pobres de periferia, quando, na realidade, é justamente o contrário – o futebol é uma extensão virtual e festiva da visão que os escravocratas tinham do negro, como se ele continuasse não tendo alma e, ao invés de almejar ser um cérebro que pensa, se reduzisse a um corpo que joga. O que, no caso de uma criança pobre, é quase uma condenação.
A ilusão do futebol e das artes

Assim como as artes (teatro, música, dança, literatura etc.), o futebol é uma ilusão. Dependente do talento, da criatividade, muitas vezes do acaso, o futebol é uma atividade de risco para quem resolve transformá-lo numa profissão e dificilmente capacita alguém a ganhar a vida e criar família, a não ser os raros craques que se tornam profissionais de grandes times e, mesmo depois de aposentados, podem continuar vivendo à custa dos milhões que ganharam nos poucos anos de atividade futebolística.

Assim como a maioria dos que se dedicam à literatura, ao teatro, às artes plásticas raramente conseguirão viver dessas atividades, também a maioria dos jogadores de futebol vegeta em clubes falidos, que atrasam salários durante meses, levando o profissional a viver numa situação de crônica instabilidade. Por isso, quando os filhos demonstram propensão para atividades que dependem da criatividade, como as artes, os pais costumam ficar preocupados e lhes aconselham que não abandonem os estudos e aprendam uma profissão.
Na biografia dos grandes artistas, são frequentes os casos de resistência familiar à vocação artística. O que não deixa de ser bom, pois ajuda a filtrar os verdadeiros talentos. Geralmente só se dispõe a fazer grandes sacrifícios pela arte, sujeitando-se até à fome, quem está convicto de seu próprio talento e trabalha diuturnamente para aprimorá-lo. Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, mes­mo sendo filho de Januário, o maior sanfoneiro de “Taboca a Rancharia, de Salgueiro a Bo­do­có”, como diz a canção “Res­peita Januário”, teve de vencer a resistência da mãe, praticamente fugindo de casa, para poder dedicar-se à música.


Mas a dedicação integral à arte é sempre um risco, uma incerteza, uma possibilidade de tudo dar errado. Na história da dupla Zezé di Camargo & Luciano, que caiu na estrada muito cedo, há a trágica história do irmão que fazia dupla com Zezé e morreu num acidente. Até o divino Mozart pagou um alto preço por se dedicar visceralmente à sua arte, morrendo precocemente aos 35 anos sem ter alcançado a independência e a estabilidade financeira com que tanto sonhava.

Os pais quase nunca aceitam que o filho se dedique apenas à arte – geralmente exigem que ele nunca abandone os estudos, o que leva a maioria a transformar em passatempo o talento, quando ele não é suficientemente forte para enfrentar as intempéries. O mesmo ocorre – ou deveria ocorrer – com o futebol, que não pode ser imposto às crianças como um ideal de vida, como fazem, hoje, as propagandas governamentais e também das empresas privadas, sempre ciosas de agradar o governo. O futebol é ainda mais incerto do que as artes. Ele chega a ser nocivo para as crianças pobres, justamente as que mais precisam do estudo se quiserem ser alguém na vida, uma vez que não dispõem nem da herança familiar nem das relações sociais dos ricos.
É óbvio, por exemplo, que poesia não enche barriga de ninguém. Mas um adolescente pobre que se interessa por poesia não precisa largar a escola para se dedicar à sua arte. Pelo contrário, ainda que o amor pela poesia possa indispô-lo com uma ou outra disciplina mais árida, geralmente ele irá se destacar nas ciências humanas e, mesmo que nunca venha a ser um Drummond, sempre poderá ganhar a vida com o jornalismo, a publicidade, o magistério ou qualquer outra atividade em que seu talento com as palavras possa ser bem empregado. O mesmo vale para o teatro, a música (especialmente a erudita) ou as artes visuais, que também são compatíveis com os estudos e não impedem o indivíduo de se formar no tempo certo e exercer uma profissão capaz de sustentá-lo caso sua arte não dê em nada.
Afastando o jovem da escola

Com o futebol é diferente. Ao contrário da literatura ou da música erudita, por exemplo, atividades intrinsecamente relacionadas com a leitura e que favorecem os estudos, a paixão pelo futebol tende a afastar o jovem dos livros – especialmente as crianças pobres. E isso em sua fase de formação, o que é mais grave. Os filhos dos ricos e da classe média podem se dedicar ao futebol sem nenhum prejuízo, matriculando-se numa escolinha desse esporte da mesma forma que se dedicam à dança, à música, à natação, às artes marciais, tudo com hora marcada, tutores pagos e supervisão dos pais, sem atrapalhar os estudos.

Já as crianças faveladas que aparecem jogando bola nas propagandas de televisão, quando se apaixonam pelo futebol, tornam-se potenciais gazeteiras de aula para se enturmar com os amigos nos campinhos de pelada da periferia, correndo o risco de se encontrar até com traficantes de droga, que também adoram futebol e frequentam as praças esportivas. Não é à toa que, em todo presídio, o futebol é a sagrada religião dos presos, irmanando em seu culto os mais violentos criminosos.
Todos os governos, das pre­feituras à União, passando pelos Estados, gastam montanhas de recursos públicos no futebol, a fundo perdido, enchendo o bolso de cartolas e políticos corruptos, pois o próprio jogador, se não for craque, é o que menos ganha. Um dos argumentos para esse gasto é o falso pretexto de que o esporte educa e afasta os jovens das drogas.
Ora, o futebol é uma atividade intrinsecamente associada ao álcool – o que as cervejarias já perceberam há muito tempo, transformando os jogadores da Seleção Brasileira nos principais propagandistas de cerveja ao mesmo tempo em que são alçados à condição de heróis dos jovens. As torcidas organizadas, com financiamento dos próprios clubes, são um exemplo da mistura explosiva entre futebol, violência e drogas, espalhando o terror não apenas nos campos de futebol, mas nas próprias cidades, sobretudo quando estão voltando dos estádios, com adrenalina em alta.
Um estudo publicado em 2009 pelas pesquisadoras Liana Abrão Romera (Unicamp) e Heloisa Helena Baldy dos Reis (Uni­versidade Metodista de Piracicaba) mostrou alta prevalência de uso e abuso de álcool entre torcedores masculinos de futebol, de 15 a 25 anos, muito mais do que entre a população em geral, com 36,9% dos pesquisados apresentando um consumo de bebida alcoólica acima do nível considerado moderado. E o que é mais grave: 15,3% dos torcedores menores de idade (de 15 a 17 anos) revelaram grau médio de problemas com álcool, enquanto 6,8% já apresentavam um grau elevado de problemas com a bebida.
Por sua vez, no livro “Vio­lências nas Escolas”, a mais abrangente pesquisa já realizada no País sobre o assunto, as pesquisadoras Miriam Abramovay e Maria das Graças Ruas, que coordenam o estudo, reconhecem que o futebol é um propulsor da violência nas escolas, uma vez que muitas brigas sérias entre alunos, que chegam a resultar em feridos e até mortos, têm sua origem nas partidas de futebol.
Depressão entre jogadores

O futebol costuma afastar os meninos pobres não só dos livros, mas também do aprendizado profissional, justamente naquela fase da vida em que deveriam se dedicar à própria formação. E, como muitos que se envolvem com o futebol nunca se tornam jogadores bem-sucedidos, quando o jovem percebe que não poderá fazer do esporte uma profissão, geralmente já é tarde para voltar atrás e recuperar o tempo perdido na escola.

Um estudo sobre o estresse psicológico dos jogadores de futebol, realizado em 2003 na Universidade Federal de Per­nambuco, mostrou que 49% dos atletas pesquisados não estavam estudando e 72% não tinham o ensino fundamental completo. Essa realidade, felizmente, vem mudando, principalmente para jogadores oriundos de famílias mais abastadas, que conseguem conciliar o futebol e os estudos, sobretudo quando se profissionalizam e contam com o apoio de seus respectivos clubes.
Mesmo assim, é preciso considerar que o futebol oferece ao atleta uma carreira muito curta, em que a invalidez profissional chega entre os 35 e 40 anos. Se o atleta não conseguir ganhar muito dinheiro no seu curto período de atividade, tornando-se um rico empreendedor após a aposentadoria, sem dúvida terá dificuldades de sobrevivência nos muitos anos de vida que lhe restam após deixar os estádios.
Segundo pesquisa realizada neste ano pelo Sindicato Mundial de Jogadores de Futebol, 26% dos jogadores em atividade relataram que sofrem com ansiedade e depressão; entre os que encerraram a carreira, esse índice salta para 39%. Isso faz com que as drogas, especialmente o álcool, também sejam um grave problema entre jogadores de futebol. De acordo com a pesquisa, 19% dos jogadores em atividade sofrem com o alcoolismo, índice que sobe para 32% entre jogadores aposentados. Também pudera: se parar de trabalhar aos 65 anos já não é fácil e leva muitos aposentados à depressão, o que dizer de se sentir inválido aos 35 anos de idade, vivendo de glórias passadas pelos próximos 35 anos de vida?
Esses dados mostram que, por mais que o futebol seja uma paixão nacional (ou uma paixão nacional do Brasil masculino, o que é mais correto), os jogadores jamais deveriam ser vistos como exemplo de futuro para a juventude brasileira. O futebol é um esporte e não pode ser transformado em religião, como acontece no Brasil, a ponto de desarmar todos os espíritos críticos do país quando a seleção entra em campo.
É inacreditável, por exemplo, como a grande imprensa ousa afirmar que a Copa do Mundo no Brasil está sendo um inegável sucesso. Ora, como ela pode ser um sucesso se está custando, até agora, cinco vezes mais do que o previsto inicialmente, chegando a um custo R$ 25 bilhões, repita-se, dos quais mais de R$ 20 bilhões saíram diretamente dos cofres públicos, num país em que os pacientes morrem nos corredores dos hospitais por falta de atendimento médico?
O balanço da Copa é, sem dúvida, totalmente negativo. O país gastou o que não podia; o investimento privado não veio; as obras estruturais não saíram das planilhas; os voos ficaram aquém do esperado; o comércio vendeu menos do que no Dia das Mães; obras foram feitas a toque de caixa, irresponsavelmente, chegando a cair um viaduto em Belo Horizonte. Até as prostitutas ficaram decepcionadas com o movimento da Copa.
Tudo isso, por sinal, era previsível desde que a Fifa, para gáudio de Lula e a sanha dos governadores, anunciou o evento no Brasil. Por isso, diante desse capítulo de negativas da Copa, que supera de longe o capítulo das negativas das “Memórias Póstu­mas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, não resta dúvida que a Copa – do ponto de vista do planejamento estatal, que é o que interessa, foi um completo fracasso. Resta saber quem vai gritar isso na cara do governo, já que até a oposição se esqueceu do Brasil e torce pela Seleção.

Publicado no Jornal Opção.
José Maria e Silva é jornalista e sociólogo.
via msm

quarta-feira, 9 de julho de 2014

VERGONHA

Vergonha

Vergonha. Palavra estampada em todas as capas e manchetes.
Vergonha não é perder um jogo de 7×1. Não demos pontapés, não abandonamos o campo, não apagamos a luz. Pode até ser um resultado vergonhoso, mas é adjetivo e não substantivo.
Vergonha é um grupo de jogadores milionários discutirem premiação para defender seu país. Deveria ser uma honra e há filas de profissionais que agradeceriam a oportunidade sem exigir nada.
Vergonha é demitirmos um técnico por curto-prazismo para contratar um rebaixado. Mostra que, dentre as poucas verdades do nosso hino, o “deitado em berço esplêndido” ainda vale – ou, no popular, “fez fama, deita na cama”. Seguimos premiando o medíocre.
Vergonha é nos iludirmos todo dia, pagando impostos extorsivos, mas achando que vivemos no “florão da América” e que, no fim das contas, vale o preço de estar no país tropical abençoado por Deus.
Vergonha mesmo é não termos entregue nem metade das obras prometidas para a Copa. Vergonha maior é uma delas ter desmoronado e matado gente. Vergonha é o país entrar em comoção pelo Neymar e não pelos mortos no acidente, ou pelos cidadãos que não têm acesso a saúde, educação, saneamento, ou pelas benesses concedidas à quadrilha do mensalão.
Vergonha é termos uma suprema corte que serve a interesses partidários.
Isso tudo é resultado da Vergonha que é o país. Agora sim, Vergonha substantivo, Vergonha com letra maiúscula. Muito pior do que um resultado vergonhoso.
Não temos que ter orgulho de ser brasileiro apenas no estádio. Não temos que ter amor à Pátria só na música de torcida. Não temos que cobrar explicação só do técnico de futebol. Se formos brasileiros com orgulho e amor, cobrarmos resultados daqueles que podem fazer diferença nos rumos do país e da sociedade e lembrarmos que o poder emana do povo, temos alguma chance de ter orgulho fora do estádio. E não apenas de quatro em quatro anos.
Que tenhamos vergonha na cara na hora de votar este ano.
Por Mariano Andrade
via blog do rodrigo constantino

Os socialistas e o esporte: uma mistura histórica

Presidente Dilma imitando gesto de Neymar para tirar mais uma casquinha da seleção… antes da humilhante derrota!
Muitos brasileiros resolveram torcer contra a nossa seleção nesta Copa do Mundo organizada em casa. O motivo era a aversão ao PT e ao uso político que ele faria com uma eventual vitória. Meus leitores sabem que não aceitei o argumento, edefendi o direito do brasileiro de separar as coisas, de torcer pela nossa vitória em campo e continuar um duro oponente do atual governo.
Pois bem: agora o Brasil perdeu de forma humilhante para a Alemanha, e quem tenta desesperadamente separar política de futebol é justamente o PT, aquele que antes tentava casar as duas coisas. O objetivo desse texto é mostrar que, pela lógica deles mesmos, são coisas inseparáveis. Para os socialistas, o esporte sempre foi mais do que pura diversão, mais até do que “pão & circo” para alienar as massas: era o retrato do sucesso da nação como um todo.
Em A vida secreta de Fidel, seu ex-segurança Juan Reinaldo Sánchez, que foi sua sombra por 17 anos, conta aquilo que todos já sabiam: como o ditador levava a sério o esporte. Diz ele: ”Fidel Castro sempre considerou com muita seriedade os Jogos Olímpicos, em especial o desempenho dos atletas cubanos que eram, para ele, a expressão da grandeza da Revolução e o desenvolvimento de seu país”.
A ditadura cubana sempre desviou muitos recursos, bastante escassos na ilha caribenha, para esta finalidade, e os inocentes úteis ocidentais aplaudiam: “Estão vendo como Cuba é uma potência? Com apenas 11 milhões de habitantes, ganha quase tantas medalhas como os americanos”. E ignoravam a decadência em todo o resto, inclusive na medicina e na educação (doutrinação ideológica), vendidas como grandes sucessos de forma enganosa.
Basta lembrar da União Soviética e da China comunista, com suas economias em frangalhos, mas com atletas de primeira. Era uma forma de compensar o fracasso doméstico, de lutar de igual para igual com a potência capitalista dos Estados Unidos ao menos em uma seara. Faltava papel higiênico nas prateleiras e milhões morriam de fome, mas as medalhas de ouro e prata se acumulavam…
Mesmo com a abertura da China para a globalização, certas coisas não mudaram. Vimos nos últimos Jogos Olímpicos como as atletas chinesas, ainda muito jovens, sofriam intensos castigos e um método de treinamento mais que rigoroso – praticamente desumano – tudo para vencer a qualquer custo. Coletivistas confundem estado com nação e atletas com estado. Vale tudo para desafiar os “imperialistas ianques” em um setor em que a vitória é possível.
A Coreia do Norte é o exemplo mais caricato disso. Um país miserável, com milhões sofrendo com a inanição causada pelo comunismo, mas uma organização militar de “formigas”, que usam os esportes para compensar a falta de todo o resto – e não conseguem nem isso. Mas o ditador maluco adora, convida astros do basquete americano para suas partidas. O esporte é tudo.
Sabemos que o PT é o herdeiro ideológico dessa mentalidade no Brasil. Desde o começo o partido tentou se apropriar da Copa do Mundo para fins políticos. A presidente Dilma fez analogias, afirmando que os “urubus” pessimistas iriam quebrar a cara tanto na Copa como na economia. Os rubro-negros alemães acabaram humilhando nossa seleção, dando um verdadeiro passeio em campo, brincando e colocando nossos zagueiros na roda.
E agora, Dilma? O PT ainda vai misturar política e futebol? Ou vai de forma oportunista fingir que nunca tentou fazer isso? Aos que, como eu, nunca aceitaram tal mistura abjeta, típica dos vermelhos, e que torceram pela seleção mesmo sabendo o que o PT faria com uma vitória, ao menos têm agora um consolo: não serão forçados a engolir uma patética encenação de que os jogadores eram sinônimo do “sucesso” da nação como um todo. O show de ufanismo boboca foi evitado, ao menos.
Já os marqueteiros de Dilma terão muito trabalho para mostrar justamente o oposto agora, que o ocorrido em campo nada tem a ver com o país em si. Tentarão de toda forma separar Dilma da seleção. Boa sorte a eles…
Rodrigo Constantino

LULA E A NOSSA COPA


Lula falando sobre a Copa do Mundo num dos seus inúmeros pronunciamentos:

Ai, gente, como tá boa a Copa do mundo, gente do céu! A gente não vê mais aqueles programas da tarde, que morre gente a toda hora, e que cai... Puta merda, como era bom ter jogo à uma, ter jogo às quatro! O povo está mais bem humorado. Olha a cara de vocês como é que tá (aparece um painel da Dilma e da bonitinha do Paraná, ambas de vermelho, cor oficial). Puta merda!... porque tem um programa que a gente assiste... dá vontade de não sair de casa, se trancar embaixo de um cobertor e ficar lá!...
(Lula, o grande filósofo corintiano. Deve ter aprendido com a Marilena).
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 Alguém com juízo na cabeça vai sair de casa para ver Irã e Nigéria em Curitiba? (Luiz Carlos Prates, sobre a copa do mundo).
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Que vergonha, meu Deus! Que constrangimento, que surra, que catástrofe. A pátria de chuteiras caiu de sete.
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Mensagem de um Desembargador catarinense:

 "Isso representa mais que um simples jogo! Representa a vitória da competência sobre a malandragem! Serve de exemplo para gerações de crianças que saberão que pra vencer na vida tem-se que ralar, treinar, estudar! Acabar com essa história de jeitinho malandro do brasileiro, que ganha jogo com seu gingado, ganha dinheiro sem ser suado, vira presidente sem ter estudado! O grande legado desta copa é o exemplo para gerações do futuro! Que um país é feito por uma população honesta, trabalhadora, e não por uma população transformada em parasita por um governo que nos ensina a receber o alimento na boca e não a lutar para obtê-lo! A Alemanha ganha com maestria e merecimento! Que nos sirva de lição! Pátria amada Brasil tem que ser amada todos os dias, no nosso trabalho, no nosso estudo, na nossa honestidade! Amar a pátria em um jogo de futebol e no outro dia roubar o país num ato de corrupção, seja ele qual for, furando uma fila, sonegando impostos, matando, roubando! Que amor à pátria é este! Já chega!!! O Brasil cansou de ser traído por seu próprio povo! Que sirva de lição para que nos agigantemos para construir país melhor! Educar nossos filhos para uma geração de vergonha! Uma verdadeira nação que se orgulha de seu povo, e não só de seu futebol!! É isso ai! Falei!"

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O fascismo do partido

O petismo é a mais perfeita definição do que muitos chamam nos EUA de “fascismo de esquerda”. Qualquer pessoa que tenha lido o que escrevemos ou ouvido o que falamos sabe que pensamos coisas distintas sobre um monte de assuntos. Nunca nem mesmo conversei com Guilherme Fiúza, por exemplo. Duvido que Arnaldo Jabor queira papo comigo.

Com isso, estou deixando claro que não formamos um grupo. Pode ser que os petistas estejam acostumados a conversar com quadrilheiros disfarçados de jornalistas. Não é o caso.Eu, sim, acuso o governo do seu partido, sr. Cantalice, de financiar com dinheiro público páginas na Internet e blogs cujo propósito é difamar a imprensa independente, as lideranças da oposição e membros do Poder Judiciário que não fazem as vontades do PT. E o senhor certamente não vai contestar porque é autodemonstrável.
Reinaldo Azevedo.

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via http://roberto-menezes.blogspot.com/

Presidente eleito da AME realiza visita aos quarteis do interior agradecendo votação e reafirmando compromissos

Assessoria da AME/AC


A futura diretoria da AME botou o pé na estrada e está visitando os militares do interior agradecendo e reafirmando os compromissos assumidos durante as eleições da entidade. Já foram visitados os municípios de Xapuri, Brasiléia, Sena Madureira, Manoel Urbano, Feijó, Tarauacá e Cruzeiro do Sul.

A nova diretoria assume no dia 1 de agosto.

Em Xapuri.
 


Brasiléia.

Em Manoel Urbano.

Feijó.
 

Tarauacá.


Cruzeiro do Sul

Fonte: http://a4demaio.blogspot.ae/

terça-feira, 8 de julho de 2014

Lula usa pão e circo para esconder a violência endêmica do Brasil

lula-da-silva
No último dia 3 de julho Lula foi à convenção petista no Paraná para ajudar a candidatura de Gleisi Hoffman. (Dica do site Liberzone)
Não sei se ele estava sóbrio ou tinha tomado alguns tragos, mas o fato é que ele parecia muito mais animado que o padrão. E com a língua mais solta que o costumeiro. Entre um delírio e outro, Lula encontrou sua fórmula para resolver a violência do Brasil:
Ai gente, como tá boa a Copa do Mundo, gente do céu! A gente não vê mais aqueles programas da tarde, que morre gente toda hora e que cai… Puta merda, como era bom ter jogo à uma, ter jogo às quatro. O povo tá mais bem humorado, olha a cara de vocês, como é que tá! Mais feliz! Puta merda! Porque tem programa que a gente assiste, dá vontade da gente nem sair de casa, se trancar embaixo do cobertor e ficar lá…
Não podia, é claro, faltar o “puta merda” vindo de um ex-presidente que semanas atrás fazia o maior mimimi por causa do VTNC lançado contra Dilma.
Mas o mais bizarro é a forma como um petista trata o gravíssimo problema da violência crônica do Brasil: basta não exibir nos noticiários (colocando jogos de futebol no lugar) que os problemas magicamente “somem”.
Vai ver está aí a explicação de como foi tão fácil para os genocidas russos, chineses e cambodjanos esconderem tantos cadáveres. É só usar propaganda, pão e circo em quantidades volumosas, controlar a imprensa e sair dizendo que tá tudo “bom demais”.
Veja o vídeo, com um Engov à mão:

Em tempo: nada contra a Seleção Brasileira, e tudo contra a forma torpe e canalha como o governo tem usado o truque “Brasil, Ame-ou ou Deixe-o” junto com a técnica da “Pátria de chuteiras” para fazer politicagem do nível do chiqueiro.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Candidata Petista a Deputada usa conta no Twitter para incitar o Ódio e fazer ameaças de Morte

Vocês viram aqui que a página "Meu professor de História mentiu pra mim" foi apagada porque, segundo o Facebook, incita o ódio e é ameaçadora. Agora vejam o tipo de texto que os integrantes do petê publicam nas redes sociais. Preparem-se para o show de horrores que segue:

Luísa Stern 13.163 @Luisa_Stern
muerte a @camilozuniga18, que não saia vivo do Brasil e se sair, que nunca mais volte a cometer futebol !

Acre tem 4ª maior taxa de suicídios entre jovens do Brasil

Da redação ac24horas

Rio Branco, AC
O Acre ocupa o 4° lugar no crescimento das taxas de suicídio da população jovem, segundo do ‘Mapa da Violência 2014: Os Jovens do Brasil’, divulgado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), que traz um levantamento entre os anos 2002 e 2012.
A classificação aborda jovens de 15 a 29 anos e representa aumento de 83% por cem mil habitantes. Em Rio Branco, de acordo com o levantamento, foi registrado um aumento de 42,9%, nos 10 anos pesquisados. Entre os anos de 2011 e 2012, esse percentual cresce para 66,7%, em dados gerais. Uma média aproximada de 7 casos por ano.
O estado acreano aparece abaixo apenas dos estados da Paraíba (109,7%), Amazonas (100,6%) e Tocantins (90,9%). Em números totais, o Acre apresentou um aumento ainda maior, de 130%, na quantidade de suicídios, com uma média de aproximadamente 14 ocorrências por ano.