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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Basta! Fora!

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 11 de junho de 2015


Volto a explicar, agora ponto por ponto, a catástrofe estratégica monstruosa com que o PT destruiu a si mesmo e à nação.

1. No incipiente capitalismo brasileiro, as grandes empresas são quase sempre sócias do Estado, o único cliente que pode remunerá-las à altura dos serviços que prestam.

2. Por isso elas acabam se incorporando ao “estamento burocrático” de que falava Raymundo Faoro: o círculo dos “donos do poder”, que fazem da burocracia estatal o instrumento dócil dos seus interesses grupais, em vez da máquina administrativa impessoal e científica que ela é nas democracias normais.

3. Nesse sentido, o sistema econômico brasileiro não é capitalista nem socialista, mas sim patrimonialista, como destacaram, além do próprio Faoro, vários estudiosos de orientação liberal, entre os quais Ricardo Velez Rodriguez, Antonio Paim e o embaixador J. O. de Meira Penna.

4. Nos anos 70 do século passado os intelectuais de esquerda que sonhavam em formar um grande partido de massas tomaram conhecimento do livro de Raymundo Faoro, Os Donos do Poder. Formação do Patronato Político Brasileiro, então lançado em aumentadíssima segunda edição, e entenderam que o curso normal da revolução brasileira não deveria ser propriamente anticapitalista, mas antipatrimonialista: o ponto focal do combate já não seria propriamente “o capitalismo”, e sim – com nomes variados — o “estamento burocrático”.

5. A definição do alvo era corretíssima, mas, ao mesmo tempo, o partido, como aliás toda a esquerda nacional, estava intoxicado de gramscismo e ansioso por tomar o poder por meio dos métodos do fundador do Partido Comunista Italiano, que preconizavam a infiltração generalizada e a “ocupação de espaços” destinadas a criar a “hegemonia”, isto é o controle do imaginário popular, da cultura, de modo a fazer do partido “o poder onipresente e invisível de um imperativo categórico, de um mandamento divino”.

6. A aplicação do esquema gramscista obteve mais sucesso no Brasil do que em qualquer outro país do mundo. Por volta dos anos 80, o modo comunopetista de pensar já havia se tornado tão habitual e quase natural entre as classes falantes no país, que os liberais e conservadores, inimigos potenciais dessa corrente, abdicaram de todo discurso próprio e, para se fazer entender, tinham de falar na linguagem do adversário, reforçando-lhe a hegemonia ideológica, mesmo quando obtinham sobre ele alguma modesta vitória eleitoral em troca. Entre os anos 90 e a década seguinte, toda política “de direita” havia desaparecido do cenário público, deixando o campo livre para a concorrência exclusiva entre frações da esquerda, separadas pela disputa de cargos apenas, sem nenhuma divergência séria no terreno ideológico ou mesmo estratégico.

7. O sucesso da operação produziu sem grandes dificuldades a vitória eleitoral de Lula numa eleição presidencial na qual, como ele próprio reconheceu, todos os candidatos eram de esquerda, o que canalizava os votos quase espontaneamente na direção daquele que personificasse o esquerdismo da maneira mais consagrada e mais típica.

8. Com Lula na Presidência, intensificou-se formidavelmente a “ocupação de espaços”, fortalecendo a hegemonia ao ponto de levar ao completo aparelhamento da máquina estatal pelo comando comunopetista, que ao mesmo tempo precisava da ajuda das grandes empresas para cumprir o compromisso assumido no Foro de São Paulo, coordenação estratégica da política comunista no continente, no sentido de amparar e salvar do naufrágio os regimes e movimentos comunistas moribundos espalhados por toda parte.

9. Inevitavelmente, assim, o próprio partido governante se transformou no “estamento burocrático” que ele havia jurado destruir. E, imbuído da fé cega nos altos propósitos que alegava, atribuiu-se em nome deles o direito de trapacear e roubar em escala incomparavelmente maior que a de todos os seus antecessores, sem admitir acima de si nenhuma autoridade moral à qual devesse prestar satisfações. O próprio sr. Lula expressou esse sentimento com candura admirável, afirmando-se o mais insuperavelmente honesto dos brasileiros, ao qual ninguém teria o direito de julgar – e isso no momento em que seu partido, abalado por uma tremenda sucessão de escândalos, já era conhecido no país todo como o partido-ladrão por excelência.

10. Assim, não apenas o PT fortaleceu o patrimonialismo, como frisou o cientista político Ricardo Velez Rodriguez, mas se transformou ele próprio na encarnação mais pura e aparentemente mais indestrutível do poder patrimonialista, soldando numa liga indissolúvel a ilimitada pretensão esquerdista ao monopólio da autoridade moral, os anseios do movimento comunista continental, os interesses de grandes grupos industriais e bancários, o aparato cultural amestrado (mídia, show business, universidades) e, last not least, o instinto de sobrevivência da classe política praticamente inteira.

11. Tal foi o resultado da síntese macabra que denominei faoro-gramscismo — a tentativa de realizar por meio da estratégia de Antonio Gramsci a revolução antipatrimonialista preconizada por Raymundo Faoro: na medida em que, ao mesmo tempo, instigava o ódio popular ao “estamento burocrático” e, por meio da “ocupação de espaços”, se transfigurava ele próprio no inimigo odiado, personificando-o com traços repugnantes aumentados até o nível do absurdo e do inimaginável, o PT acabou por atrair contra si próprio, em escala ampliada, a hostilidade justa e compreensível da população aos “donos do poder”, aos príncipes coroados do Estado cleptocrático.




“NÓS ENCONTRAMOS O INIMIGO E ELE SOMOS NÓS”, DIZ O PERSONAGEM POGO, CRIADO POR WALT KELLY(1913-1973)

12. Ao longo do processo, a “ocupação de espaços” reduziu o sistema de ensino e o conjunto das instituições de cultura a instrumentos para a formação da militância e a repressão ao livre debate de ideias, destruindo implacavelmente a alta cultura no país e, na mesma medida, estupidificando a opinião pública para desarmar sua capacidade crítica. Ao mesmo tempo, no desejo de agradar a vários “movimentos de minorias” enxertados no Brasil por organismos internacionais, o governo petista fez tudo o que podia para desmantelar o sistema dos valores mais caros à maioria da população, contribuindo para espalhar a confusão moral, a anomia e a criminalidade, esta última particularmente favorecida por legislações que não se inspiravam propriamente em Antonio Gramsci, mas numa fonte mais remota do pensamento esquerdista, a apologia do Lumpenproletariat como classe revolucionária, muito em voga nos anos 60 do século XX.

O Brasil que o PT criou é feio, miserável, repugnante, tormentoso e absolutamente insustentável. Cumprida a sua missão histórica de encarnar, personificar e amplificar o mal que denunciava, o único partido da História que fomentou uma revolução contra si mesmo tem a obrigação de ser coerente e desaparecer do cenário o mais breve possível.

Por isso a mensagem que o povo lhe envia nas ruas, nos panelaços, nas vaias e nas sondagens de opinião é hoje a mesma que, em circunstâncias muito menos deprimentes e muito menos alarmantes, surpreendeu o desastrado e atônito presidente João Goulart em 1964:

– Basta! Fora!

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

O marxismo cultural e o politicamente correto contra o povo - quem vence?

Este é o embate ideológico da atualidade


Embora o marxismo original tenha, ao redor do mundo, praticamente desaparecido dos movimentos trabalhistas, a teoria marxista segue prosperando nas instituições culturais, no mundo acadêmico e na mídia convencional.
Mas não se trata da teoria marxista econômica convencional. Trata-se de um novo marxismo, adulterado e sob uma nova roupagem.
Os socialistas de hoje praticamente abandonaram a velha retórica da "luta de classes", a qual envolvia uma batalha entre as classes capitalistas e proletárias. Há agora uma nova batalha, a qual opõe "opressores" a "oprimidos". As classes oprimidas incluem os grupos LGBT, os negros, as feministas, os imigrantes, os "não-assimilados culturalmente" e várias outras categorias consideradas mascotes. Já a classe opressora é formada majoritariamente por homens e mulheres cristãos, brancos e heterossexuais, de qualquer profissão (empregado ou empregador), que não sejam ideologicamente simpáticos ao socialismo.
A criação desta nova luta de classes é o cerne do "marxismo cultural". O marxismo cultural nada tem a ver com a liberdade, com o progresso social ou com um suposto esclarecimento cultural. Ao contrário, tem a ver com a criminalização de idéias: qualquer pensamento tido como "ofensivo" ou "excludente" — ou seja, qualquer pensamento que não preste reverência aos "grupos oprimidos" — deve ser criminalizado.
Para os adeptos deste evangelho, a força-motriz que irá impulsionar a revolução socialista não mais é o proletariado, mas sim os intelectuais — exatamente por isso o marxismo cultural prospera basicamente na academia, na mídia e na cultura.
A raiz
A raiz deste movimento está nos escritos de Antônio Gramsci (1891-1937) e da Escola de Frankfurt.
Já à época, esses teóricos do marxismo haviam reconhecido que o proletariado não exerceria o papel — que sempre lhe foi imaginado — de ser o "agente da revolução". Por conseguinte, para que a revolução acontecesse, o movimento passou a depender de líderes culturais, os quais estariam incumbidos de destruir a cultura e a moralidade dominantes — majoritariamente cristãs — para então empurrar as massas desorientadas para o socialismo, que passaria a ser a nova crença dominante.
Para Gramsci, a "hegemonia cultural" não apenas é o grande objetivo da batalha, como também é o seu principal instrumento. Os escritos de Gramsci contemplam um totalitarismo que elimina a própria possibilidade de uma resistência cultural às idéias progressistas.
O objetivo supremo (e autodeclarado) deste movimento é estabelecer um governo mundial no qual os intelectuais marxistas teriam a palavra final. Neste sentido, os marxistas culturais são a continuação daquilo que começou com a Revolução Russa.
Lênin e os soviéticos
Liderados por Lênin, os criminosos da revolução consideraram sua vitória na Rússia como sendo apenas o primeiro passo rumo à revolução mundial. A Revolução Russa não era nem russa e nem proletária. Em 1917, os trabalhadores industriais da Rússia representavam apenas uma pequena fatia da força de trabalho, a qual era majoritariamente formada por camponeses. A Revolução Russa não foi o resultado de um movimento trabalhista, mas sim de um grupo de revolucionários profissionais.
Uma análise mais minuciosa da composição do partido bolchevista e dos primeiros governos soviéticos e seu aparato repressivo revela a verdadeira característica da revolução soviética: um projeto que não visava a libertar o povo russo do jugo czarista, mas sim servir como plataforma para a revolução mundial.
A experiência da Primeira Guerra Mundial e suas consequências mostrou que o conceito marxista do "proletariado" como uma força revolucionária era uma ilusão. Igualmente, o exemplo da União Soviética demonstrou que é impossível haver socialismo sem uma ditadura.
Essas considerações levaram os principais intelectuais marxistas à conclusão de que uma estratégia diferente seria necessária para implantar o socialismo. Autores comunistas difundiram a ideia de que a ditadura socialista deve ocorrer disfarçadamente. Para que o socialismo tenha êxito, a cultura dominante deve mudar. O controle da cultura deve preceder o controle político.
A corrupção moral
O caminho para o poder preconizado pelos marxistas culturais é por meio da corrupção moral das pessoas. Segundo Gramsci, para alcançar isso, a grande mídia convencional, o sistema educacional e as instituições culturais devem ser infiltrados por agentes ideológicos e continuamente transformados e moldados de acordo com essa ideologia. A função destas três instituições não é esclarecer e iluminar, mas sim confundir e enganar.
A mídia, o sistema educacional e todo o aparato cultural devem ser utilizados para jogar uma parte da sociedade contra a outra. Enquanto as identidades de cada grupo (opressor e oprimido) vão se tornando mais específicas, a variedade dos grupos vitimológicos, bem como todo o histórico de "opressão" sobre estes grupos, vai se tornando mais detalhada.
A demanda por "justiça social", por sua vez, cria uma infindável corrente de gastos públicos tidos como essenciais — para saúde, educação e aposentadoria, e também para todos aqueles que "estão necessitados", ou que "são perseguidos", ou que "são oprimidos", sejam eles reais ou imaginários. O fluxo interminável de gastos nestas áreas corrompe as finanças do governo e produz crises fiscais. Isso ajuda os neo-marxistas a acusarem o "capitalismo" de todos os males, sendo que, na realidade, é exatamente o estado inchado e regulatório quem provoca os colapsos econômicos e é o excesso de endividamento público quem causa as fragilidades financeiras.
A política, a mídia, as instituições educacionais e culturais, e mesmo o judiciário não param de criar novas guerras: indo desde a guerra contra o colesterol e a pressão alta até campanhas contra gordura saturada e obesidade. A lista de "inimigos declarados" cresce diariamente, e todos aqueles que não se curvam são prontamente rotulados de "fascistas", "racistas", "machistas", "homofóbicos", "xenófobos", "islamófobos", "transófobos" etc.
O ápice deste movimento é a imposição do "politicamente correto": a guerra contra as opiniões individuais. Ao passo que a população deve tolerar repugnantes demonstrações comportamentais — devidamente rotuladas de "arte" —, a lista de palavras e opiniões proibidas só faz crescer. Tudo aquilo que pode ser subjetivamente interpretado como 'excludente' ou 'ofensivo' tem de ser proibido. Ao defender a censura de idéias e comportamentos considerados "ofensivos", o politicamente correto nada mais é do que uma ferramenta criada para intimidar e restringir a liberdade de expressão. A opinião pública jamais deve ir além do espectro de posições aceitáveis.
Porém, enquanto o debate público empobrece, a diversidade de opiniões radicais prospera às ocultas.
Os marxistas culturais, desta maneira, empurram a sociedade moralmente para uma crise de identidade por meio dos falsos padrões criados por uma ética hipócrita. O objetivo não mais é a "ditadura do proletariado" — pois este projeto fracassou —, mas sim a "ditadura do politicamente correto", cuja autoridade suprema está nas mãos dos marxistas culturais.
Como uma nova classe de sacerdotes, os guardiões desta nova ortodoxia comandam as instituições cujos poderes eles querem estender sobre toda a sociedade. A destruição moral do indivíduo é um passo necessário para alcançar a vitória final.
O ópio dos intelectuais
Os crentes deste neo-marxismo são majoritariamente intelectuais. Os trabalhadores, afinal, fazem parte da realidade econômica dos processos de produção e sabem que as promessas socialistas são completamente insanas e insensatas. Em nenhum lugar do mundo o socialismo foi implantado em decorrência de algum movimento trabalhista. Os trabalhadores nunca foram a vanguarda do socialismo, mas sim suas principais vítimas. 
Os líderes das revoluções sempre foram intelectuais, membros da classe política, e militares. Cabia aos artistas e escritores ocultarem a brutalidade dos regimes socialistas por meio de artigos, livros, filmes e pinturas, e dar ao socialismo uma aparência estética moral, científica e intelectual. Na propaganda socialista, o novo sistema sempre parece ser justo e produtivo.
Os marxistas culturais acreditam que, futuramente, eles serão os únicos detentores do poder, capazes de ditar às massas como viver, como pensar, como se comportar e até o que comer. No entanto, uma grande surpresa os espera: se o socialismo de fato vier, a "ditadura dos intelectuais" será tudo, menos benigna — e nada muito diferente do que ocorreu após os soviéticos tomarem o poder. Os intelectuais estarão entre as primeiras vítimas. Foi isso, afinal, o que ocorreu na Revolução Francesa, a qual foi a primeira tentativa de revolução pelos intelectuais. Várias das vítimas da guilhotina eram proeminentes intelectuais que haviam inicialmente apoiado a revolução — Robespierre entre eles. As revoluções sempre matam seus idealizadores.
Em sua peça "A Morte de Danton", o dramaturgo Georg Büchner famosamente colocou uma personagem para dizer: "Como Saturno, a revolução devora seus filhos". No entanto, seria mais apropriado dizer que a revolução devora seus pais espirituais. Os intelectuais que hoje promovem o marxismo cultural serão os primeiros da fila do cadafalso caso seu projeto de poder tenha êxito.
Conclusão
Contrariamente ao que Marx acreditava, a história não está pré-determinada. A longa marcha gramsciana da conquista das instituições culturais e sociais ocorreu, mas ainda não se consumou por completo. Ainda há tempo de oferecer resistência. E ela já está ocorrendo.
Para contra-atacar, é necessário apontar a inerente fraqueza do marxismo cultural. Na medida em que os neo-marxistas alteraram o marxismo clássico e eliminaram seus pilares básicos (o aprofundamento da proletarianização, o determinismo histórico, e o colapso total do capitalismo), o movimento se tornou ainda mais utópico do que o próprio socialismo original.
Como sucessores da Nova Esquerda, os "socialistas democráticos" atuais propagam uma miscelânea de posições contraditórias. Dado que o caráter deste movimento é o de promover conflitos de grupos, o neo-marxismo é ineficaz para servir como instrumento de obtenção de um poder político coerente necessário para uma ditadura.
No entanto, isso não significa que o movimento neo-marxista não terá impactos. Ao contrário: por causa de suas inerentes contradições, a ideologia do marxismo cultural é a principal fonte de confusão que atingiu praticamente todos os segmentos das atuais sociedades ocidentais, e a qual ainda pode crescer e atingir proporções perigosas.
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fonte: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2953
Leia também:

terça-feira, 3 de julho de 2018

Fé, família e liberdade na Rússia de hoje

Bill Muehlenberg
Comentário de Julio Severo: O escritor evangélico australiano Bill Muehlenberg, ao fazer uma lista de fatores conservadores na Rússia, só se esqueceu de mencionar um dos maiores: homeschooling (educação escolar em casa). Neste ano, foi realizado na Rússia o maior congresso mundial de homeschooling, com representantes de vários países. Diferente da Europa, onde enfrenta grandes restrições e proibições, na Rússia o homeschooling é muito mais livre e legalmente reconhecido. Um termômetro excelente para medir o conservadorismo num país é ver como trata o homeschooling. E como indica a reportagem do WND (WorldNetDaily) “O homeschooling está crescendo rapidamente — na Rússia!” o homeschooling está avançando sem parar na Rússia. Leia o artigo do Bill:


A história é cheia de surpresas. Isso inclui a visão geral e os detalhes mais sutis. Nações podem ir e vir. Nações podem mudar. Claro, elas geralmente mudam para pior, e muitas vão desaparecer no esquecimento. Mas às vezes uma nação pode realmente melhorar, pelo menos até certo ponto.
Considere a Rússia e a Europa Oriental. Depois de estar presa debaixo das correntes de uma das ideologias políticas mais horríveis, sanguinárias e disfuncionais por cerca de sete décadas — o comunismo ateísta — alguém pensaria que quase qualquer coisa seria uma melhoria. A queda do comunismo significou muitas mudanças para muitas nações.
Muitas nações da Europa Oriental estão se tornando agora faróis de luz na escuridão que é hoje a Europa secular moderna. E a própria Rússia, em muitos aspectos, tem sido uma surpresa agradável. Frequentemente escrevi sobre isso e sobre Putin durante os terríveis anos de Obama nos EUA: os dois faziam um grande contraste.
Durante a Guerra Fria, era o Ocidente livre em geral e os EUA em particular contra a desgraçada União Soviética e o Bloco Oriental. Mas sob Obama vimos todas as coisas ruins acontecendo, inclusive políticas pró-islamismo, pró-homossexualismo, anti-cristianismo e anti-família, enquanto a Rússia estava indo na outra direção.
A maioria dessas tendências continua hoje, com muitas iniciativas e leis pró-família e pró-vida encontradas na Rússia de Putin. Aqui estão sete exemplos disso. Algumas são iniciativas do Estado e algumas são iniciativas da igreja. Juntos, eles oferecem alguma esperança para o futuro da Rússia.
Essas tendências não significam que é tudo um mar de rosas na Rússia. Muitos problemas permanecem, é claro. Mas tais tendências parecem ser esforços animadores. Deixe-me apenas oferecer um título, data e os parágrafos de abertura de cada exemplo:

Governo Russo Propõe Assistência Financeira para Famílias Numerosas

30 de junho de 2018
O sistema de apoio a indivíduos deve ser transformado em um sistema de apoio familiar, acredita o primeiro-ministro russo Dmitry Medvedev. Em Moscou, em 8 de junho de 2018, a Escola Superior de Economia realizou uma conferência intitulada “Estado e Benfeitores: Juntos com um Objetivo Comum.” Essa conferência reuniu representantes do governo e de organizações de caridade sem fins lucrativos, discutindo como estabelecer uma interação mais efetiva entre si. O primeiro-ministro Dmitry Medvedev deu atenção pessoal ao tema e participou da sessão plenária da conferência. Ele disse: “Este é um fenômeno absolutamente normal, tanto para as organizações do Estado quanto para as organizações de caridade sem fins lucrativos avançarem em direção a um objetivo comum.”
O Pe. Alexander Aleshin, vice-presidente do Departamento de Caridade e Serviço Social da Igreja Cristã Russa, propôs novas medidas de apoio eficazes para ajudar as famílias grandes. Ele disse: “A estratificação da sociedade em ricos e pobres é um problema enorme, tendo uma dimensão política, social e espiritual. Naturalmente, sempre teremos ricos e pobres conosco, mas é importante reduzir a distância entre eles. Uma das categorias mais vulneráveis é a das famílias grandes. Por isso, propomos oferecer-lhes ajuda… Medidas para apoiar famílias grandes aumentarão a taxa de natalidade.”
Algumas das medidas propostas são:
- Taxe as famílias de maneira diferente, dependendo do número de filhos, do status de emprego dos pais e de outros fatores.
-Introduza um subsídio monetário para cada criança numa família grande. (Atualmente, já existem subsídios para o terceiro e os subsequentes filhos de uma família.)
-Revise os critérios de elegibilidade para assistência, em relação à renda e propriedade existentes de uma família.
-Desenvolva medidas para reestruturar as obrigações de crédito das famílias de baixa renda.
-Desenvolva um sistema de recreação conjunta garantida para famílias grandes.
-Forme um programa especial federal direcionado para fornecer moradia para famílias grandes: Reduza a taxa de hipoteca para 0% para famílias com três ou mais filhos e introduza subsídios para moradia para aluguel.
Fonte: Fé Russa.

Russos querem novo feriado nacional para celebrar a família tradicional

7 de junho de 2018
Desde 2016, o grupo Santidade da Maternidade vem trabalhando para estabelecer um novo feriado na Rússia. Eles querem designar 1º de junho como “Dia dos Pais e Filhos Alegres.” Em outros países, o dia 1º de junho já está definido como o Dia Internacional da Criança e Dia dos Pais. Historicamente, durante o tempo da União Soviética, o Dia das Crianças foi celebrado pela primeira vez em Moscou. Mas na Rússia moderna, nenhum dos dois feriados é reconhecido em nível federal.
Significativamente, em 13 de julho de 2015, o Santo Sínodo da Igreja Cristã Ortodoxa Russa estabeleceu o dia 1º de junho como uma festa oficial, celebrando a memória comum dos santos esposos, o Príncipe Dmitry Donskoy e a Princesa Eudoxia. Esses dois santos foram os pais de doze filhos, e muitas fontes históricas dizem que exemplificaram o amor e a fidelidade matrimonial.
Fonte: Fé Russa.

Putin dá subsídios para ensinar valores familiares, trazendo um aumento na oposição ao aborto e ao sexo antes do casamento

9 de junho de 2018
O presidente Vladimir Putin recentemente concedeu uma verba para um projeto que promove os valores familiares tradicionais entre adolescentes e jovens russos. A verba foi concedida em dezembro de 2017 e o projeto envolveu mais de 10 mil meninos e meninas de 102 escolas diferentes da região de Tyumen. Eles ouviram falar sobre família, amor, coragem e felicidade, e preencheram questionários antes e depois das palestras, proporcionando insights sobre seus pensamentos sobre a vida familiar russa.
As sessões de ensino entraram em detalhes discutindo a importância do casamento tradicional, os perigos do sexo antes do casamento, os problemas com a contracepção e os horrores do aborto. De acordo com os questionários, 85% dos jovens acreditam que é inaceitável que as pessoas mudem livremente de parceiros, buscando sexo fora do casamento sem nenhum compromisso. A maioria disse que as relações íntimas só são permissíveis quando há relações estáveis de longo prazo entre os parceiros. Mais de um terço dos entrevistados manteve os valores totalmente tradicionais sobre este ponto, com 34% afirmando que o sexo é permitido “somente após o casamento.”
Fonte: Fé Russa.

Putin Diz que Rússia Deve Apoiar a Família — O Futuro do País Depende Disso

13 de junho de 2018
“O apoio à família tem sido e continua sendo uma das prioridades incondicionais do Estado.” Isso foi dito pelo presidente russo Vladimir Putin na cerimônia de premiação da Ordem da Glória dos Pais. “Precisamos aumentar a taxa de natalidade,” disse Putin. Ele observou que isso é “uma reflexão e continuação das mudanças que estão ocorrendo em nosso país.” O presidente acrescentou que um pai que sonha com uma família grande precisa de confiança de que seus filhos terão acesso à educação de qualidade, saúde e moradia… “Trabalhamos constantemente em todas essas áreas e continuaremos a fazer isso,” garantiu o chefe de Estado.
Ele lembrou que, em particular, o programa de maternidade foi ampliado. Desde o início de 2018, as hipotecas foram subsidiadas para famílias nas quais o segundo e terceiro filhos nasceram. “Eu espero que o programa para aumentar a disponibilidade de berçários, que estamos lançando depois de um projeto semelhante para jardins de infância, também traga as pessoas os resultados necessários… O trabalho ativo nessas áreas continuará,” disse Putin. O presidente ressaltou que pais com muitos filhos “escolheram para si um caminho feliz, grato, mas muito difícil e responsável, cheio de inconveniências e sofrimentos, exigindo devoção, paciência, força e, é claro, trabalho constante em si mesmos.”
Fonte: Fé Russa.

14.000 mulheres se recusam a abortar depois de receber ajuda da Igreja Cristã Russa

15 de junho de 2018
Milhares de mulheres em toda a Rússia recorreram aos centros humanitários estabelecidos pela Igreja no último ano e meio, recebendo ajuda material que lhes deu a estabilidade para recusar os abortos que elas estavam considerando.
Centros de igrejas em 102 cidades e assentamentos rurais em 57 regiões russas foram capazes de ajudar 14.507 mulheres desde o início de 2017, salvando a vida de seus filhos, informa a RIA-Novosti.
Esses números ressaltam a importância para a Igreja de não apenas pregar contra o aborto, mas também de colocar essa pregação em ação, oferecendo ajuda concreta para as mulheres necessitadas. Embora as estatísticas tenham mostrado melhorias significativas nos últimos anos, o aborto continua sendo um problema sério, sujando a nação.
As mulheres que se encontram em situações difíceis na vida, com a intenção de fazer um aborto, muitas vezes se arrependem dessa decisão quando recebem assistência financeira. De acordo com Maria Studenikina, diretora do movimento anti-aborto do Departamento de Caridade da Igreja Russa e diretora do centro de assistência para mulheres grávidas em necessidade “Lar para Mães” de Moscou, cerca de 27% das mulheres que pretendem abortar citam dificuldades financeiras e uma incapacidade de apoiar seu filho.
Destacando a importância de uma conexão humana e simples gestos de amor, ela diz: “Em nossa prática, houve casos em que uma mulher se recusou a fazer um aborto, graças ao fato de que lhe oferecemos botas quentes. Era inverno em Krasnoyarsk. Uma menina se recusou a fazer um aborto, graças ao fato de que a ajudamos com um banho de bebê, porque ela não tinha onde dar banho em sua casa na vila.”
Fonte: Fé Russa.

Obstáculo para a sociedade livre de drogas: Rússia diz que a legalização da maconha no Canadá viola leis internacionais

25 de junho de 2018
O escopo dos tratados internacionais, dos quais o governo canadense é signatário, não permite nenhuma “exceção” ou “interpretação flexível” do princípio de que o uso de drogas deve ser limitado à medicina e à pesquisa, disse o Ministério das Relações Exteriores da Rússia na sexta-feira depois que a “Lei da Maconha” do Canadá entrou em vigor na quinta-feira.
Ao legalizar o uso recreativo da maconha, o Canadá “comete uma violação deliberada e flagrante de suas obrigações internacionais assumidas pela Convenção Única sobre Entorpecentes de 1961, a Convenção de 1971 sobre Substâncias Psicotrópicas e a Convenção da ONU contra o Tráfico Ilícito de Drogas Narcóticas e Substâncias Psicotrópicas de 1988,” disse o ministério.
Essa “liberalização das drogas” se tornará um “sério obstáculo” no caminho de uma sociedade livre de drogas, alertou o ministério, conclamando os membros do G7 do Canadá a resistir à sua “arbitrariedade.” “Esperamos que a ‘arbitrariedade’ do Canadá mereça uma resposta de seus parceiros do G7, já que esse grupo declarou repetidamente seu compromisso com o Estado democrático de direito nas relações interestaduais,” acrescentou o ministério.
Na semana passada, o Canadá se tornou o segundo país do mundo, depois do Uruguai, a tornar legal o uso de maconha recreativa e seu cultivo, inclusive em casa. Depois que as duas câmaras do parlamento do país votaram para aprovar o projeto de lei, foi concedido um assentimento real pelo governador geral na quinta-feira. A aprovação da rainha é um passo amplamente formal, mas necessário, para transformar um projeto de lei em lei.
Fonte: RT.

Putin joga Marx e Lênin no lixo: o marxismo estava errado, a família é que importa

14 de junho de 2018
Vladimir Putin ama a família tradicional. É tão reconfortante ver um líder mundial falar sobre a família com tanta vitalidade, tamanha dedicação, reverência e respeito. Na televisão nacional, o presidente russo disse que Karl Marx, Friedrich Engels e Vladimir Lenin estavam errados em suas teorias sobre a família tradicional. Putin diz que as crianças precisam experimentar o amor de mãe e pai.
Fonte: Fé Russa.
Esse último exemplo é realmente incrível. As coisas mudaram de fato nessa parte do mundo. Como eu disse, por favor, não me entenda mal. A Rússia não é a terra prometida agora. Ainda tem muitos problemas. Considere a questão da liberdade religiosa. Enquanto as coisas são muito melhores hoje do que sob os comunistas, os verdadeiros beneficiários lá são os membros da Igreja Cristã Ortodoxa Russa, não surpreendentemente.
Mas as coisas podem ser um pouco diferentes para os evangélicos. Veja por exemplo este artigo de vários anos atrás.
E também não estou dizendo que Putin é o messias. Ele, como qualquer outro líder, precisa ser cobrado, e é preciso ficar de olho nele. Além disso, a maioria desses artigos vem do site da Fé Russa, sobre o qual eu não sei muito. Eles poderiam muito bem ser tendenciosos. Mas é claro que a maioria dos sites é tendenciosa, até certo ponto.
Então, mesmo que boa parte disso seja verdade, parece estar apontando na direção certa. A Rússia pode estar se saindo muito melhor do que a maioria das nações ocidentais em muitas dessas áreas. A Rússia pode oferecer alguma esperança ao Ocidente e provar ser um farol em um momento muito sombrio.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do site de Bill Muehlenberg: Faith, Family and Freedom in Today’s Russia
Leitura recomendada:

segunda-feira, 4 de junho de 2018

As dez leis fundamentais da economia

Sociedades que as respeitam e não tentam revogá-las enriquecem


Em meio a tantas falácias econômicas sendo repetidas de maneira aparentemente incessante pela mídia e pelos comentaristas, a função do economista intelectualmente honesto é desfazer essa cortina de fumaça para o público e reafirmar algumas das mais básicas leis da economia.
Este Instituto já apresentou uma lista extremamente sucinta das dez leis fundamentais da economia. Vários leitores pediram para que ela fosse aprofundada. Eis, portanto, as dez leis fundamentais da economia que sempre devem ser repetidas para jamais serem esquecidas.
1. Para consumir é necessário antes produzir
A produção necessariamente vem antes do consumo. Para consumir algo, esse algo deve antes existir. É impossível consumir algo que ainda não foi criado.
Embora essa seja uma constatação lógica e óbvia, ela é recorrentemente ignorada. A ideia de que o governo deve estimular o consumo da população para que isso então impulsione a produção e toda a economia é predominante na mídia e nos meios acadêmicos. Trata-se de uma perfeita inversão de causa e consequência.
Bens de consumo não simplesmente caem do céu. Bens de consumo são o resultado final de uma longa cadeia que envolve vários processos de produção interligados. Essa cadeia é chamada de "estrutura de produção".
Mesmo a produção de um item aparentemente simples, como um lápis ou um sanduíche, requer uma intrincada rede de processos produtivos que levam tempo para ser concluídos e que envolvem vários países e continentes.
Estimular o consumo, por definição, não pode gerar crescimento econômico.
2. O consumo é o objetivo final da produção
As pessoas produzem aquilo que outras pessoas querem consumir. Não faz sentido econômico produzir algo que ninguém irá consumir.
Por isso, o consumo é o objetivo de toda a atividade econômica. E a produção é o seu meio.
Defensores de políticas governamentais voltadas a "criar empregos" violam esta óbvia ideia. Programas voltados para a criação artificial de empregos transformam a produção no objetivo final, e não o consumo dessa produção. Criar empregos artificialmente significa estimular a produção de algo que não está sendo demandado voluntariamente pelos consumidores.
São os consumidores que atribuem valor aos bens de consumo final. Ao atribuírem valor aos bens de consumo, eles indiretamente também atribuem valor aos fatores de produção (mão-de-obra e maquinário) utilizados no processo de produção destes bens de consumo.
Ignorar as reais demandas do consumidor e querer criar empregos artificiais e processos de produção que não estão em linha com os desejos do consumidor é uma medida que tenta revogar toda essa realidade. Tal medida é economicamente destrutiva, pois imobiliza mão-de-obra e recursos escassos em atividades que não estão sendo demandadas pela população. Isso significa destruição de capital e de riqueza.
3. Nada é realmente gratuito; tudo tem custos
Não existe almoço grátis. Receber algo aparentemente gratuito significa apenas que há outra pessoa pagando por tudo.
Por trás de cada universidade pública, de serviços de saúde "gratuitos", de bolsas estudantis e de toda e qualquer forma de assistencialismo jaz o dinheiro de impostos de pessoas que trabalham e produzem.
Embora os pagadores de impostos saibam que é o governo quem confisca parte de sua renda, eles não sabem para quem ou para onde vai esse dinheiro. E embora os recebedores desse dinheiro e dos serviços custeados por esse dinheiro saibam que é o governo quem está por trás de tudo, eles não sabem de quem o governo tomou esse dinheiro.
4. O valor das coisas é subjetivo
A maneira como cada indivíduo atribui valor a um bem é subjetiva, e varia de acordo com a situação e com os gostos deste indivíduo. Um mesmo bem físico possui diferentes valores para diferentes pessoas.
A utilidade de cada bem é subjetiva, individual, situacional e marginal. Por isso, não pode haver algo como "consumo coletivo". Mesmo a temperatura de uma sala traz sensações distintas para cada pessoa ali presente. A mesma partida de futebol possui diferentes valores subjetivos para espectador, como é facilmente perceptível no momento que um dos times faz um gol.
5. É a produtividade o que determina os salários
A produção de um indivíduo durante um determinado período de tempo determina o quanto ele pode ganhar durante esse período de tempo.
Quanto mais esse indivíduo produzir um bem ou serviço voluntariamente demandado pelos consumidores em um determinado intervalo de tempo, maior poderá ser a sua remuneração.
Em um mercado de trabalho genuinamente livre, empresas contratarão mão-de-obra adicional sempre que a produtividade marginal de cada um desses trabalhadores for maior que o seu salário (custo). Em outras palavras, sempre que um trabalhador adicional for capaz de gerar mais receitas do que despesas, ele será contratado.
A concorrência entre as empresas irá elevar os salários até o ponto em que ele se equiparar à produtividade.
O poder dos sindicatos pode alterar a distribuição dos salários entre os diferentes grupos de trabalhadores, mas não pode elevar o valor total dos salários de todos esses trabalhadores. Estes dependem inteiramente da produtividade.
E o que aumenta a produtividade da mão-de-obra? Poupança, investimentos e acumulação de capital.  Sem poupança não há investimento. E sem investimento não há acumulação de capital. Sem acumulação de capital não há maior produtividade. E sem mais produtividade não há aumento da renda.
6. Gastos representam, ao mesmo tempo, renda para uns e custo para outros
Keynesianos dizem que todo gasto gera renda. Eles apenas se esquecem de que todo gasto é também um custo. O gasto é um custo para o comprador e uma renda para o vendedor. A renda é igual ao custo.
O mecanismo do multiplicador de renda keynesiano diz que, quanto mais se gasta, mais se enriquece. Quanto mais todos gastam, mais ricos todos ficam. Tal lógica obviamente ignora os custos. O multiplicador fiscal, por definição, implica que os custos aumentam junto com a renda. Se a renda se multiplica, os custos também se multiplicam. O modelo do multiplicador keynesiano ignora esse efeito do custo.
Graves erros de política econômica ocorrem quando as políticas governamentais contabilizam os gastos públicos apenas pela ótica da renda, ignorando completamente o efeito dos custos.
Gastos, portanto, são custos. O multiplicador da renda implica a multiplicação dos custos.
7. Dinheiro não é riqueza
O valor do dinheiro consiste em seu poder de compra. O dinheiro serve como um instrumento para se efetuar trocas. Quanto maior o poder de compra do dinheiro, maior sua capacidade de efetuar trocas.
Mas o dinheiro, por si só, não é riqueza. É apenas um meio de troca. Riqueza é abundância de bens e serviços e bem-estar. A riqueza de um indivíduo está, portanto, em sua capacidade de ter acesso aos bens e serviços que ele deseja
O governo criar mais dinheiro não significa criar mais riqueza. Uma nação não pode aumentar sua riqueza ao aumentar a quantidade de dinheiro existente.
Robinson Crusoé não estaria um centavo mais rico caso encontrasse uma mina de ouro ou uma valise repleta de dinheiro em sua ilha isolada.
8. O trabalho, por si só, não cria valor
O trabalho, quando combinado com outros fatores de produção (matéria-prima, ferramentas e infraestrutura), cria produtos. Mas o valor desses produtos depende do quanto ele é útil para o consumidor.
A utilidade desse produto depende da valoração subjetiva feita por cada indivíduo (ver item 4). Por isso, criar empregos apenas para que haja mais empregos é algo economicamente insensato (ver item 2).
O que realmente importa é a criação de valor, e não o quão duro um indivíduo trabalha. Para ser útil, um produto ou serviço tem de gerar benefícios ao consumidor. O valor de um bem ou serviço não está diretamente ligado ao esforço necessário para produzi-lo.
Um homem pode gastar centenas de horas fazendo sorvetes de lama ou cavando buracos, mas se ninguém atribuir qualquer serventia a estes sorvetes de lama ou a estes buracos — e, portanto, não os valorizar o suficiente para pagar alguma coisa por eles —, tais produtos não terão nenhum valor, não obstante as centenas de horas gastas em sua fabricação.
9. O lucro é o bônus do empreendedor bem-sucedido
No capitalismo de livre concorrência, o lucro econômico é o bônus extra que uma empresa ganha por ter sabido alocar corretamente recursos escassos e ter sabido satisfazer as demandas dos consumidores.
Em uma economia estacionária, na qual não ocorre nenhuma mudança, não haveria nem lucros nem prejuízos, e todas as empresas teriam a mesma taxa de retorno. Já em uma economia dinâmica e crescente, ocorrem mudanças diariamente nos desejos dos consumidores. E aqueles mais capazes de antecipar essas mudanças nos desejos dos consumidores e que souberem como direcionar recursos escassos — mão-de-obra, matéria-prima e bens de capital — para satisfazer esses consumidores irão colher os lucros econômicos.
Empreendedores capazes de antecipar as demandas futuras dos consumidores irão auferir as maiores taxas de lucro e irão crescer. Empreendedores que não tiverem essa capacidade de antecipar os desejos dos consumidores irão encolher até finalmente serem expulsos do mercado.
10. Todas as verdadeiras leis econômicas são puramente lógicas
As leis econômicas são aprioristas, o que significa que elas não precisam ser previamente verificadas e nem podem ser empiricamente falsificadas.
Ninguém pode falsificar tais leis empiricamente porque elas são verdadeiras em si mesmas. Como tal, as leis fundamentais da economia não requerem verificação empírica. Referências a fatos empíricos servem meramente como exemplos ilustrativos; elas não representam uma declaração de princípios. (Veja exemplos práticos aqui.)

É possível ignorar e violar as leis fundamentais da economia, mas não é possível alterá-las.  Sociedades que entenderem e respeitarem essas 10 leis econômicas — sem tentar revogá-las — irão prosperar.

Fonte: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2592