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sexta-feira, 21 de março de 2014

Será que eu sou um eleito?

GracaAbundante



Começamos uma nova leitura no Voltemos aos Clássicos: Graça Abundante ao principal dos pecadores, de John Bunyan. Hoje, lemos do capítulo 4 ao 6 . Na semana que vem (25/mar) iremos discutir a leitura dos capítulos 7 a 9. Corra e leia conosco:

Resumo

No capítulo 4, “Atormentado pelo pecado e Satanás”, John Bunyan retrata diversas dúvidas que começaram a tentá-lo. Ele questionou se era um eleito, se já não havia mais oportunidade dele se converter e se era realmente chamado por Deus. Alguns textos bíblicos lhe trouxeram consolo passageiro, contudo ele começou a “perceber algo concernente à vaidade e à miséria interior de [seu] coração perverso” (49), e considerou estar cada vez mais distante da conversão (50). Por fim, ele descobriu “que, se a culpa da consciência não fosse removida da maneira certa — ou seja, pelo sangue de Cristo — o estado da pessoa se tornaria pior, perdendo ela a mente preocupada” (52). E ele queria fazer da forma correta e isso aumentava a sua aflição, a tal ponto que desejava ser como um animal, que “não são objetos da ira de Deus, nem são destinados ao inferno após a morte” (53).
No capítulo 5, “Intensificado os ataques de Satanás”, o tentador aflige Bunyan com dúvidas a respeito da existência de Deus e de Cristo e da inspiração das Escrituras. Era como se o diabo lhe dissesse: “Você possui um desejo ardente por misericórdia, mas o esfriarei; esse estado de coração e mente não durará para sempre” (63). “Mas, depois, o Senhor se revelou a [ele], de maneira mais graciosa e plena” (64) através de textos como Cl 1.20 e Hb 2.14-15 – Bunyan compreendeu que Deus e sua alma eram amigos, por meio do sangue de Cristo (65).
No capítulo 6, “A graça de Deus e a fúria de Satanás”, Bunyan começa relatando como o sangue de Cristo removia sua culpa (72) e que ele, agora, percebia “claramente que havia uma vasta diferença entre as ideias da carne e do sangue e a revelação de Deus no céu; entre a fé simulada de acordo com a sabedoria dos homens e a fé genuína, que surge quando um homem é nascido de Deus (Mt 16.17; 1 Jo 5.1)” (69). Contudo, não demorou muito para o tentador investir furiosamente contra ele novamente. Desta vez, a tentação era para que Bunyan “vendesse a Cristo” – trocasse Cristo por outras coisas e desistisse dele (75). Ele resistiu por um tempo, contudo a ideia de “deixar Cristo ir se esta fosse a vontade dele” foi consentida em seu coração (76). Isso levou Bunyan a questionar se havia cometido o pecado imperdoável.

O que podemos aprender: será que sou um eleito?

Você se perguntou se você é realmente um eleito, uma pessoa que Deus escolheu antes da fundação do mundo (Ef 1.4)? John Bunyan retrata em uma linguagem tão expressiva uma dúvida que provavelmente muitos de nós já tivemos:
“Talvez você não seja um eleito”, dizia o Tentador. De fato, talvez eu não seja, eu pensava. “Então”, dizia Satanás, “você pode também abandonar essas dúvidas e parar de lutar; porque, se você não é realmente um eleito de Deus, não há esperança de que seja salvo, pois: ‘Não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia’”. Estas coisas me deixaram desnorteado, não sabendo eu o que dizer ou como responder a essas tentações. De fato, nunca me ocorreu que era Satanás quem me atacava dessa maneira. Pensava que a minha própria prudência levantava tais questionamentos. Eu defendia, de todo o coração, que somente os eleitos obtinham a vida eterna. Mas, a pergunta era se eu era um deles. (45)
Então, como saber se sou um eleito? A primeira coisa para desmistificarmos é a ideia de que pode haver alguém que crê genuinamente mas que não seja um eleito. A Bíblia afirma que Deus escolheu desde o princípio para a fé na verdade (2 Ts 2:13) e que todo aquele que Deus predestinou ele também justificou (Rm 8.30). Logo, se você verdadeiramente crê, você é um eleito e se você é um eleito, você irá necessariamente crer.
A segunda coisa para ajudar nessa pergunta é o tripé da certeza da salvação elaborada pelos puritanos. A Confissão de Westminster coloca da seguinte forma:
Esta certeza não é uma mera persuasão conjectural e provável, fundada numa falsa esperança, mas uma infalível segurança da fé, fundada na [1] divina verdade das promessas de salvação, [2] na evidência interna daquelas graças a que são feitas essas promessas, [3] no testemunho do Espírito de adoção que testifica com os nossos espíritos sermos nós filhos de Deus, no testemunho desse Espírito que é o penhor de nossa herança e por quem somos selados para o dia da redenção. (XVIII.II)
[1] Promessas de salvação: Nossa salvação está baseada nas promessas de Deus em Cristo Jesus e não em nossos sentimentos. Se cremos que Cristo morreu por nós e confiamos que Deus não pode quebrar sua Palavra, então podemos ter a certeza de que ele nos salvará naquele último dia.
[2] Evidências internas: Deus nos escolheu antes da fundação do mundo para a santificação do espírito (2 Ts 2.13), para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor (Ef 1.4). Assim, quando produzimos o fruto do Espírito, mostramos que ele habita em nós. Quando crescemos em santidade, mostramos que ele age em nós. O problema é que muitos procuram por perfeição e não santificação. Santificação é um processo – lento, progressivo e muitas vezes difíceis de perceber. Você consegue ver qualquer diferença em sua vida? Você ama a Deus e sua Palavra ou somente as coisas do mundo? O que seus irmãos dizem a respeito de sua vida (muitas vezes não somos os melhores juízes e temos a tendência de sermos mais severos conosco do que com nosso próximo).
[3] Testemunho do Espírito: a Escritura diz que “o Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8:16). Esta é uma certeza pessoal e íntima, mas ela pode ser abafada pelo pecado rotineiro. Deixe todo o pecado que tão de perto lhe rodeia (Hb 12.1) e você ouvirá novamente o testemunho do Espírito.
Por fim, acredito que uma ilustração de Richard Sibbes, do livro O Caniço Ferido (recomendadíssimo!), pode ajudar:
“Umas poucas uvas mostrarão que a planta é uma vide e não um espinheiro.”
Ou seja, talvez você não esteja em um período de grande abundância dos frutos da graça, mas só uns pouco frutos, mesmo que imperfeitos, são capazes de mostrar que você é um verdadeiro cristão (vide) e não um falso (espinheiro).
Medite nas graciosas promessas de Deus (Sl 119:50), examine-se a si mesmo (2 Co 13.5) e clame pelo testemunho do Espírito (Rm 5.5)

Extra 1: Cuidado para não esfriar vagarosamente

O diabo está neste momento pensando em como esfriar a sua fé. Bunyan retrata um discurso vívido de Satanás:
“Embora você faça isso”, disse Satanás, “eu o tratarei com dureza. Eu o esfriarei, de modo imperceptível, pouco a pouco”. “O que importa”, dizia ele, “se eu levar sete anos para esfriar o seu coração, se no final eu conseguir? O balançar contínuo acalma a criança que chora, fazendo-a dormir. Eu o induzirei a render-se. No final, as coisas têm de ser como eu quero. Ainda que a sua vontade seja intensa, posso tirá-la de você. Logo o farei esfriar”. (63)
Você provavelmente já sabe que nós raramente nos desviamos abruptamente; na maioria das vezes é um esfriar gradual (ouça esta música). A pergunta é: você está vigiando agora!? Neste exato momento, enquanto você lê estas linhas, qual área da sua vida está gradualmente se esfriando? Sua leitura da Bíblia? Sua vida de oração? Aquele pecado que você só vai cair “mais uma vez”, afinal Deus perdoa mesmo, não? Meu irmão, será que você já não está caindo nas artimanhas de Satanás? Acorde! Vigie e ore! Não apague o Espírito que fala ao seu íntimo neste momento. “Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” (2 Co 5.20).

Extra 2: Não seja um teólogo de segunda mão

Você prefere ler um livro de Calvino ou a Bíblia? No capítulo seis, Bunyan faz uma crítica a teólogos de segunda mão:
Antes de afastar-me para tão longe dessas tentações, desejei muito ler sobre a experiência de um homem piedoso que tivesse escrito centenas de anos antes de eu nascer, pois eu pensava que os autores de meu tempo — peço-lhes que me perdoem por dizer isto — escreviam apenas a interpretação de outros. Também pensava que eles usavam sua habilidade intelectual somente com o propósito de responder às objeções que percebiam estar perturbando alguns, sem penetrarem as profundezas da Escritura, para descobrir as suas verdades. (73)
Teologia piedosa não é estudar o que outros falaram sobre Deus, mas buscar conhecer a Deus através do que ele se revelou nas Escrituras, com a ajuda de outros. Não é um exercício intelectual, mas algo feito diante de Deus (coram deo).

Sua vez
1) Você já duvidou da sua salvação e eleição? Como você reagiu?
2) O que chamou mais a sua atenção na leitura?

Por Vinícius Musselman Pimentel © 2014 Voltemos ao Evangelho. Original: 2 formas erradas e 1 correta de tratar a consciência pesada
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Fonte: http://voltemosaoevangelho.com/

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