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sábado, 29 de setembro de 2012

Thomas Watson – Os Testes do Amor a Deus [5/6]

Os testes do amor a Deus
O Voltemos ao Evangelho está traduzindo o livro Um Tônico Divino, do puritano Thomas Watson. Confira os capítulos já traduzidos:
  1. As melhores coisas cooperam para o bem [Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4 | Parte 5]
  2. As piores coisas cooperam para o bem [Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4 | Parte 5 | Parte 6 | Parte 7 | Parte 8]
  3. Por que todas as coisas cooperam para o bem do homem piedoso? [Parte 1 | Parte 2 | Parte 3]
  4. Sobre o Amor a Deus [Parte 1 | Parte 2 | Parte 3]
  5. Os Testes do Amor a Deus [Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4 | Parte 5 | Parte 6]

10. Bons pensamentos acerca de Deus

Outro bendito sinal de amor é entreter bons pensamentos acerca de Deus. Aquele que ama seu amigo interpreta o que ele faz no melhor sentido. “[O amor] não suspeita mal” (1Co 13.5, ARC). A malícia interpreta tudo no pior sentido; o amor interpreta tudo no melhor sentido. Tal amor é como um excelente comentarista da providência; ele não pensa mal acerca dela. Aquele que ama a Deus tem uma boa opinião acerca de Deus; embora Ele aflija rispidamente, a alma recebe tudo de bom grado. Esta é a linguagem de um espírito gracioso: “Meu Deus vê que duro coração eu possuo, portanto Ele traz um punhal de aflição atrás do outro, para quebrar meu coração. Ele sabe o quanto eu sou cheio de maus temperamentos, tão cheio de chagas, portanto Ele me faz sangrar, para salvar a minha vida. Essa severa dispensação serve ou para mortificar alguma corrupção, ou para exercitar alguma graça. Quão bom é Deus, que não me deixa sozinho em meus pecados, mas golpeia o meu corpo para salvar a minha alma!” Assim, aquele que ama a Deus vê todas as coisas pelo lado bom. O amor põe um verdadeiro brilho em todas as ações de Deus. Vocês que são prontos a murmurar contra Deus, como se Ele lhes fosse desfavorável, humilhem-se por causa disso; então, digam para si mesmos: “Se eu amasse mais a Deus, eu teria melhores pensamentos acerca de Deus.” É Satanás que faz com que tenhamos bons pensamentos acerca de nós mesmos, e pensamentos duros acerca de Deus. O amor toma tudo pelo lado mais favorável; ele não suspeita o mal.

11. Obediência

Outro fruto do amor é a obediência. “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” (Jo 14.21). É uma coisa inútil dizermos que amamos a pessoa de Cristo, se nós desprezamos os Seus comandos. Acaso ama o seu pai aquela criança que se recusa a obedecê-lo? Se nós amamos a Deus, nós deveríamos obedecê-Lo naquelas coisas que contrariam a carne e o sangue: (i) nas coisas difíceis e (ii) nas coisas perigosas.

(i) Devemos obedecer a Deus nas coisas difíceis. Por exemplo, na mortificação do pecado. Há alguns pecados que não apenas estão próximos de nós como nossas roupas, mas são queridos para nós como os nossos olhos. Se nós amamos a Deus, devemos nos levantar contra esses pecados, assim em nosso propósito como em nossa prática. Do mesmo modo, em perdoar os nossos inimigos. Deus nos ordena sob pena de morte a sermos perdoadores. “Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Ef 4.32). Isso é difícil; é nadar contra a correnteza. Nós estamos prontos a nos esquecermos dos atos de bondade, e a nos lembrarmos das injúrias; mas, se amamos a Deus, devemos ignorar as ofensas. Quando nós seriamente consideramos o quanto Deus tem nos perdoado, quantas afrontas e provocações em nossas mãos Ele tem tolerado, isso nos estimula a seguir os Seus passos e a nos esforçarmos para enterrar uma injúria, ao invés de revidá-la.

(ii) Devemos obedecer a Deus nas coisas perigosas. Quando Deus nos chama a sofrer por Ele, nós devemos obedecer. O amor fez com que Cristo sofresse por nós; o amor foi a algema que O prendeu à cruz; portanto, se nós amamos a Deus, nós devemos estar dispostos a sofrer por Ele. O amor tem uma natureza estranha: é a menos suportadora das graças e, ainda assim, é a mais suportadora das graças. É a menos suportadora graça em um sentido: o amor não suportará que pecados conhecidos permaneçam na alma, sem arrependimento; não suportará abusos e desonras praticados contra Deus; assim, ele é a menos tolerante graça. Ainda assim, ele é a mais suportadora graça: o amor suportará reprovações, algemas e prisões, pela causa de Cristo. “Estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus” (At 21.13). É verdade que nem todo cristão é um mártir, mas todo cristão tem nele o espírito do martírio. Ele diz, assim como Paulo: “Eu estou pronto para ser preso”; ele possui uma disposição da mente para sofrer, se Deus o chamar a isso.

O amor levará os homens para além de suas forças. Tertuliano observa o quanto os pagãos sofriam por amor à sua nação. Ora, se a semente natural pode chegar tão alto, certamente a graça se fará ainda mais elevada. Se o amor à pátria faz os homens sofrerem, muito mais deveria fazer o amor a Cristo. “O amor tudo suporta” (1Co 13.7). Basílio fala acerca de uma virgem condenada à fogueira, a qual, sendo-lhe oferecidos de volta a sua vida e os seus bens se ela se prostrasse diante do ídolo, respondeu: “Que se vão a vida e os bens; seja bem-vindo, Cristo”. Houve também aquele nobre e zeloso discurso de Inácio: “Que eu seja moído pelos dentes das feras selvagens, para que possa ser o puro trigo de Deus”. De que maneira a paixão divina elevou os primeiros santos acima do amor da vida e do temor da morte! São Estevão foi apedrejado, São Lucas, pendurado numa oliveira, São Pedro, crucificado em Jerusalém de cabeça para baixo. Esses herois divinos estavam dispostos a sofrer, ao invés de, pela sua covardia, fazer com que o nome de Deus sofresse. Como São Paulo valorizava as cadeias que ele suportou por Cristo! Ele se gloriava nelas, como uma mulher tem orgulho de suas jóias, como diz Crisóstomo. E o santo Inácio carregava os seus grilhões como um bracelete de diamantes. “Não aceitando o resgate” (cf. Hb 11.35). Eles se recusaram a sair da prisão sob condições pecaminosas; preferiram a sua inocência à sua liberdade.

Assim testemos o nosso amor a Deus. Temos nós o espírito do martírio? Muitos dizem amar a Deus, mas como tal amor se manifesta? Eles não abandonam sequer o menor conforto, tampouco suportam a menor cruz por Sua causa. Se Jesus Cristo houvesse dito a nós: “Eu os amo muito, vocês são queridos a mim, mas eu não posso sofrer, eu não posso dar a minha vida por vocês”, nós questionaríamos fortemente o Seu amor. Acaso não pode Cristo suspeitar de nós, quando nós fingimos amá-Lo, e ainda assim não enfrentamos nada por Ele?
Por Thomas Watson. Original: A Divine Cordial By Thomas Watson

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