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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Os jogos olímpicos, “Imagine”, e o secularismo religioso

A evidência de que a Europa é hoje um sucedâneo da URSS  é a passagem de uma canção como o “Imagine” no encerramento dos jogos olímpicos, que deveriam, por princípio, ter um cariz independente de toda e qualquer religião — incluindo o secularismo religioso.

Eu não vi nenhuma imagem de televisão acerca dos jogos olímpicos em mais de 30 segundos; para mim, os jogos olímpicos foram apenas as imagens que resultaram do zapping. E a última imagem do zapping dos jogos foi a cerimônia de encerramento em que se tocava a canção “Imagine” de John Lennon.

“Imaginem um mundo sem religião”, segundo Lennon, é imaginar um mundo com uma só religião: a religião secularista. “Imaginem a absolutização do pensamento único”, é o verdadeiro e real corolário da canção de John Lennon (e do politicamente correto).
A maior parte das pessoas na Europa — e não só — ainda não se apercebeu que a radicalização islâmica, que se verificou e aumentou progressivamente desde a década de 1960, é menos uma reação contra o Ocidente entendido de forma abstrata, mas mais uma reacção contra o secularismo entendido como uma religião de Estado. E com a queda do muro de Berlim, o secularismo como religião de Estado “saiu do armário”; paradoxalmente, a queda do bloco soviético teve o efeito contrário do que seria de esperar, na medida em que uma sociedade que tenha o secularismo como religião de Estado é uma espécie de URSS sem comunismo, mas com quase todos os outros ingredientes da União Soviética, incluindo a burocracia.

Os europeus ainda não se aperceberam que o secularismo que predomina na Europa é bem diferente daquele que existe, por exemplo, na Índia, onde o secularismo é apenas e só uma posição de equidistância assumida pelo Estado em relação a todas as religiões que co-existem na sociedade.

Na Índia, o secularismo assumido pelo Estado não é uma religião de Estado, na medida em que o Estado indiano não pretende substituir-se às religiões presentes na sociedade. Ora, isto não se passa na Europa: e a prova indesmentível de que não é a mesma coisa; a evidência de que a Europa é hoje um sucedâneo da URSS; é a passagem de uma canção como o “Imagine” no encerramento dos jogos olímpicos que deveriam, por princípio, ter um cariz independente de toda e qualquer religião — incluindo o secularismo religioso.

Adendo: prevendo já a argumentação estúpida usual: em Portugal, o catolicismo nunca foi uma religião de Estado propriamente dita — basta verificarmos que o movimento do princípio da nacionalidade portuguesa opôs o rei D. Afonso I ao Papa, e toda a história das três dinastias portuguesas foi marcada por conflitos, mais ou menos agudos, com o Vaticano.

Obama e a destruição da linguagem
À semelhança do que faz, em Portugal, o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista, e até a ala radical do Partido Socialista, a administração de Obama destrói a linguagem do senso comum, no sentido de fazer avançar uma agenda política totalitária. É o caso da substituição, nos discursos oficiais, da frase “liberdade religiosa” por “liberdade de culto”. Obama nunca fala em “liberdade religiosa”: em vez disso usa o termo “liberdade de culto”.

A “liberdade de culto” remete para a confinação da religião à vida privada do indivíduo, limitando e mesmo proibindo a sua expressão pública. A “liberdade de culto” significa que o indivíduo é apenas livre de praticar a sua religião em sua casa.

Por outro lado, ao contrário do que acontece com a “liberdade religiosa”, a “liberdade de culto” exclui o direito de o indivíduo (1) educar os seus filhos na sua religião, (2) de ter em sua posse literatura religiosa, (3) de organizar encontros públicos religiosos, (4) de organizar recolha de fundos para a sua congregação religiosa, (5) de eleger os seus líderes religiosos, (6) de organizar acções públicas caritativas, (7) de evangelizar; e, em última análise, (8) de limitar ou mesmo proibir a atividade educativa dos seminários religiosos.

O passo seguinte do politicamente correto será o de privatizar a política — circunscrevendo a liberdade política ao interior da casa do cidadão. Em vez de “liberdade política”, utilizarão possivelmente a expressão “liberdade de pensamento”: o cidadão passa a ser apenas livre de pensar.

Destruindo a linguagem e o senso comum, a agenda política totalitária politicamente correta e gayzista avança sem que ninguém se lhe oponha.

Orlando Braga edita o blog Perspectivas - espectivas.wordpress.com. (via midia sem mascara)

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